A Planted, uma startup de tecnologia climática, anunciou a captação de US$ 31,8 milhões para escalar uma nova abordagem na construção de usinas solares. A rodada foi liderada pelos fundos Piva Capital e RA Capital Management Planetary Health, e atraiu um grupo notável de investidores, incluindo Google, Breakthrough Energy Ventures (de Bill Gates), Gigascale Capital e Khosla Ventures.

O movimento ataca um paradoxo do setor: enquanto o custo dos painéis solares despencou, os custos de instalação, licenciamento e aquisição de terras se tornaram os principais gargalos para a expansão da fonte. A tese da Planted é que a engenharia por trás das fazendas solares não acompanhou a evolução dos componentes, e a solução está na combinação de software e robótica para otimizar o ativo mais escasso: o solo.

O Lego da Energia Solar

O método convencional para construir uma fazenda solar exige terraplanagem para criar uma superfície plana, onde longas fileiras de painéis são montadas em racks. O processo é caro, demorado e ambientalmente custoso. A Planted subverte essa lógica. Primeiramente, um software cria um “gêmeo digital” do terreno, mapeando a topografia natural com alta precisão.

Em seguida, robôs autônomos percorrem o local e instalam postes individuais para cada painel, seguindo as ondulações do terreno. Segundo a empresa, isso permite construir em inclinações de até 27% e aproveitar áreas que seriam descartadas no modelo tradicional. O resultado é uma densidade até 40% maior, gerando a mesma energia em uma área significativamente menor, com um processo de montagem que se assemelha a um encaixe de peças de Lego.

Acelerando a Burocracia

O maior impacto da tecnologia da Planted, contudo, pode não ser na velocidade da construção, mas na viabilização de projetos e na aceleração do licenciamento. Ao dispensar a terraplanagem, a solução preserva a vegetação local e o fluxo natural de águas pluviais, facilitando a obtenção de aprovações ambientais. Além disso, os painéis ficam mais baixos, reduzindo o impacto visual para comunidades vizinhas — um ponto frequente de atrito.

Segundo reportagem da Fast Company, que originou a notícia, a abordagem já se provou decisiva em casos concretos. Um projeto para alimentar um data center tornou-se viável ao conseguir gerar 2,5 vezes mais energia na mesma área. Em outro, a Planted redesenhou uma usina após mais da metade do terreno ter sido designada como área de proteção ambiental, salvando o empreendimento.

Com a nova capitalização, a empresa planeja expandir sua frota de robôs, que já está com a agenda lotada para o próximo ano. O investimento sinaliza uma nova fronteira de inovação na transição energética: o desafio não está mais apenas no silício dos painéis, mas no aço e no software que os instalam no solo de forma mais inteligente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company