O BNDES aprovou duas operações de crédito que somam R$ 157 milhões para a Zaaz Telecom, provedora de conectividade da holding Waiken ILW. O objetivo é um clássico da agenda de desenvolvimento: levar infraestrutura de banda larga para o interior do país, onde a capilaridade das grandes operadoras ainda é um desafio.
O movimento sinaliza a estratégia do banco de fomento, em conjunto com o Ministério das Comunicações, de utilizar os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para catalisar investimentos privados em áreas sub-atendidas. A leitura é que, sem o capital paciente e o selo de aprovação do BNDES, projetos como este teriam mais dificuldade em sair do papel.
A anatomia do financiamento
A maior parcela do financiamento, de R$ 131 milhões, é oriunda do Fust. Este montante será direcionado à construção de aproximadamente 1,7 mil quilômetros de rede de fibra ótica, cobrindo 189 localidades em 45 municípios de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. A meta é ambiciosa: viabilizar até 19 mil novas conexões e levar rede de acesso de alta capacidade a quase 50 mil residências.
Uma segunda operação, de R$ 26 milhões, complementa o investimento com um foco mais operacional. Os recursos serão usados para a compra de equipamentos, como modems, e para reforçar o capital de giro. Isso permitirá à Zaaz não apenas construir a "estrada" digital, mas também equipar os "veículos" que trafegarão por ela, ampliando a oferta de serviços de internet, telefonia e soluções para empresas.
O mapa da digitalização
O aporte na Zaaz Telecom reforça o papel crucial dos provedores regionais de internet (ISPs) na interiorização da conectividade no Brasil. Enquanto as grandes teles concentram seus investimentos nos maiores centros urbanos, são empresas como a Zaaz que desbravam mercados de menor densidade demográfica, mas com crescente demanda por serviços digitais.
O financiamento público atua aqui como um redutor de risco e um acelerador. Para o BNDES e para a política pública por trás do Fust, o retorno não é medido apenas em termos financeiros, mas no impacto social e econômico de conectar regiões produtivas e diminuir o abismo digital. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade da Zaaz de executar o plano de expansão e transformar a infraestrutura em serviços acessíveis e de qualidade para a população e as empresas locais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





