O comércio bilateral entre Estados Unidos e China sofreu uma contração expressiva de 29% em 2025, caindo de US$ 583,6 bilhões para US$ 414,6 bilhões. Apenas um estado americano, o Novo México, conseguiu registrar um aumento em suas trocas comerciais com a potência asiática, impulsionado por um surto de exportações de eletrônicos, especialmente chips de computador. Em contraste, 49 dos 50 estados americanos viram seus fluxos comerciais com a China diminuírem, refletindo um ano marcado por tarifas comerciais mais elevadas e um complexo realinhamento nas cadeias de suprimentos globais.
O Panorama Geral da Retração
A queda generalizada afetou os estados de maneiras distintas. Em termos percentuais, Louisiana e Wyoming lideraram a retração, com declínios de 64% e 58%, respectivamente. Califórnia, um gigante em termos de volume, perdeu o maior valor absoluto, com uma redução de US$ 52,2 bilhões em suas importações da China, que caíram 38%. No total, 22 estados viram seu valor de comércio de bens com a China diminuir em pelo menos um quarto. A metodologia de contagem, que atribui o comércio ao estado de origem do transporte, pode distorcer a percepção em estados portuários como a Louisiana, subestimando o impacto em regiões produtoras.
Novo México: A Exceção Isolada
O Novo México se destacou positivamente, com um crescimento de 27% em seu comércio com a China, atingindo US$ 4,9 bilhões. O motor desse avanço foi a exportação de máquinas elétricas e eletrônicos, que inclui chips, com um aumento de 69% para US$ 3,0 bilhões. Esse crescimento ocorreu mesmo em meio à guerra tarifária, possivelmente beneficiado por isenções chinesas a certos componentes de chips fabricados nos EUA. A abertura da fábrica de empacotamento avançado de chips da Intel em Rio Rancho, no Novo México, em 2024, parece ter sido um fator crucial para esse desempenho singular.
Louisiana e o Colapso das Exportações Agrícolas e Energéticas
Na outra ponta do espectro, a Louisiana experimentou uma perda de US$ 7,2 bilhões em seu comércio com a China, principalmente devido à queda de 71% nas exportações. O setor de soja, que representava US$ 5,9 bilhões em 2024, despencou para US$ 2,1 bilhões. As exportações de combustíveis também sofreram um baque severo, caindo de US$ 3,2 bilhões para US$ 0,3 bilhão. Esses produtos foram alvos diretos da retaliação chinesa, que impôs tarifas sobre carvão, GNL, petróleo bruto e soja, culminando em uma tarifa geral de 125% sobre bens americanos em abril de 2025.
Implicações e Perguntas em Aberto
A dinâmica de 2025 sugere um realinhamento contínuo nas relações comerciais EUA-China, com tarifas elevadas e tensões geopolíticas remodelando fluxos de comércio. A resiliência de setores específicos, como o de semicondutores no Novo México, contrasta com a vulnerabilidade de produtos agrícolas e energéticos. Resta saber se essa tendência de diversificação e realocamento de cadeias de suprimentos continuará, e quais outros setores ou regiões emergirão como novos polos de comércio ou como potenciais vítimas das disputas comerciais.
O cenário de 2025 levanta questões importantes sobre a sustentabilidade das exportações americanas em setores sensíveis e a capacidade de estados e empresas de se adaptarem a um ambiente comercial cada vez mais volátil. A dependência de estados como o Novo México em relação ao mercado chinês, mesmo em nichos de alta tecnologia, também merece atenção contínua.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





