A Caixa Econômica Federal, um dos maiores e mais complexos conglomerados estatais do país, reportou uma drástica otimização de seus processos internos com o uso de inteligência artificial. Segundo a instituição, rotinas de back office que antes demandavam até 12 dias foram reduzidas para 30 minutos, com ganhos de produtividade que chegam a 80% em certas atividades. Os resultados vêm da adoção de ferramentas como o Microsoft Copilot.

Para uma organização do porte da Caixa, no entanto, a notícia não está apenas nos números, mas na metodologia. O projeto revela um estudo de caso sobre como implementar tecnologias disruptivas em ambientes altamente regulados e avessos ao risco, onde a escala massiva e o impacto social de qualquer mudança são imensos.

A estratégia por trás da ferramenta

Antes de uma ampla distribuição da tecnologia, a Caixa estruturou um plano de governança com diretrizes claras, objetivos e métricas. O foco foi capacitar e engajar os colaboradores, posicionando a IA como um assistente para potencializar o trabalho, e não como um substituto. “Eu não estou substituindo o ser humano, estou potencializando o trabalho dele”, afirmou Willian Rodrigues dos Santos, gerente de Clientes e Negócios da Caixa, em uma declaração que foi chave para a adesão interna.

A estratégia de aculturação culminou no “Programa Influenciadores Copilot”, que formou 700 funcionários como embaixadores da tecnologia para apoiar seus pares. O modelo de aprendizado descentralizado foi crucial para escalar a adoção em um universo de milhares de empregados com perfis e necessidades distintas.

Inovação com controle

O banco buscou um equilíbrio entre a agilidade da experimentação e o rigor exigido de uma instituição financeira. Utilizando o Copilot Studio, a Caixa criou um ambiente controlado onde os funcionários podiam desenvolver e testar seus próprios agentes de IA para resolver problemas específicos de suas áreas. As melhores ideias, após um processo de validação técnica e de negócio, foram incorporadas a um catálogo de soluções internas.

Essa abordagem permitiu que a inovação surgisse de forma orgânica, diretamente das dores das áreas de negócio, sem abrir mão do controle centralizado de segurança e conformidade. O resultado é um modelo que fomenta o desenvolvimento low-code, mas com as salvaguardas necessárias para operar em um setor crítico.

O caso da Caixa ilustra que, para grandes corporações, o desafio da IA é menos tecnológico e mais estratégico e cultural. O sucesso parece depender não da compra do software, mas da orquestração de sua integração ao tecido humano e processual da companhia, um roteiro que outras gigantes brasileiras, públicas e privadas, certamente observarão com atenção.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside