A onipresença dos negócios de Carlos Slim no México é um fenômeno frequentemente associado à sua rede de telecomunicações, mas a extensão do seu império alcança ativos imobiliários que raramente foram alvos diretos de suas ambições. O Plaza Universidad, um dos centros comerciais mais emblemáticos da Cidade de México, é o exemplo perfeito dessa expansão quase acidental. Inaugurado em 1969, o espaço não nasceu sob a égide do Grupo Carso, mas acabou integrado ao conglomerado como um efeito colateral de uma transação maior que moldou o varejo mexicano no final do século XX.
Segundo reportagem da Expansión, a entrada do Plaza Universidad no portfólio de Slim ocorreu em 1997, quando o Grupo Carso adquiriu 60% das ações da Sears Roebuck de México. A operação, avaliada em cerca de 103 milhões de dólares, visava absorver a rede de lojas de departamento que enfrentava dificuldades financeiras após a crise econômica de 1995. Ao comprar a Sears, Slim herdou automaticamente o controle de 53% do fideicomiso que operava o shopping, consolidando sua influência sobre um dos ativos imobiliários mais estratégicos da capital mexicana.
O pioneirismo arquitetônico e comercial
O Plaza Universidad foi desenvolvido pela Sears Roebuck de México com um projeto assinado pelo renomado arquiteto Juan Sordo Madaleno. Na época de sua inauguração, o complexo representou uma mudança de paradigma no urbanismo da Cidade de México. Ao contrário de projetos isolados, o shopping foi concebido para integrar o comércio, entretenimento e o fluxo pedestre da Avenida Universidad, servindo como um ponto de encontro vital para as famílias da região sul da cidade.
Sua importância reside não apenas na arquitetura, mas na introdução do conceito de centro comercial moderno no país. A capacidade de reunir diversas marcas sob o mesmo teto permitiu que o consumidor comparasse produtos e preços de forma inédita, descentralizando a atividade econômica que, até então, estava fortemente concentrada no Centro Histórico. Esse modelo estabeleceu as bases para o desenvolvimento de outros grandes centros comerciais que surgiriam nas décadas seguintes.
A estratégia de reestruturação de Slim
O movimento que levou o Plaza Universidad ao Grupo Carso reflete a filosofia de negócios de Carlos Slim: a aquisição de empresas subadministradas ou em dificuldades para aplicar um rigoroso processo de reestruturação. Enquanto a matriz da Sears nos Estados Unidos caminhava para a falência e o fechamento de operações, a subsidiária mexicana, sob o comando de Slim, manteve-se financeiramente estável e relevante.
Ao assumir a operação, o Grupo Carso injetou capital para modernizar e ampliar o Plaza Universidad, permitindo que o espaço competisse com novos e mais sofisticados centros de compras que surgiam na capital. Esse processo de renovação contínua garantiu que o shopping não perdesse sua relevância no mercado, mantendo as lojas âncora tradicionais como a própria Sears e a Sanborns como pilares de sua sustentabilidade comercial.
Implicações para o portfólio imobiliário
Hoje, o Plaza Universidad faz parte da Inmuebles Carso, a divisão imobiliária do conglomerado que gerencia 13 centros comerciais no Valle de México. A integração desse ativo demonstra como a diversificação setorial é essencial para a resiliência do império de Slim. Para os stakeholders, o caso evidencia a importância de ativos imobiliários estratégicos como garantidores de estabilidade, mesmo quando o negócio principal — o varejo — enfrenta ventos contrários.
Para o ecossistema comercial mexicano, a trajetória do Plaza Universidad serve como um lembrete da consolidação empresarial. A transição de um projeto independente para uma peça de um grande conglomerado reflete a evolução dos hábitos de consumo e a necessidade de escala para enfrentar a concorrência global. A longevidade do shopping, após mais de 50 anos, atesta a eficácia da gestão de ativos de longo prazo.
Perspectivas e o futuro do varejo
O que permanece em aberto é como esses espaços físicos, agora consolidados sob grandes holdings, se adaptarão às novas pressões do comércio eletrônico e às mudanças demográficas. A manutenção de um ativo com valor histórico como o Plaza Universidad exige investimentos constantes em infraestrutura para evitar a obsolescência.
A história do Plaza Universidad não é apenas um relato de aquisição corporativa, mas um reflexo da própria transformação urbana da Cidade de México. O futuro desses centros comerciais dependerá, em grande medida, da capacidade dos gestores em equilibrar a tradição com as novas demandas de conveniência dos consumidores modernos. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





