A indústria metalúrgica espanhola se prepara para um cenário de custos mais elevados no encerramento de 2026. Segundo a Confemetal, principal entidade do setor, as empresas antecipam um "forte repunte" nos preços da energia e dos transportes, conforme revela a mais recente "Encuesta de Sentimiento Económico del Sector Metal". A pesquisa, que coletou dados entre 15 e 30 de junho, projeta a evolução do terceiro trimestre e as perspectivas para o quarto, utilizando um índice de 0 a 100, onde 50 representa estabilidade.
Pressão crescente nos custos de insumos
O indicador de custo de energia é a principal preocupação para as empresas do setor. Após uma moderação no terceiro trimestre, com o índice em 66,1 pontos, a previsão para o quarto trimestre dispara 24,5 pontos, atingindo 90,6 pontos. Este patamar é classificado como "aumento significativo" e representa o valor mais alto registrado no estudo. Paralelamente, o custo do transporte segue uma trajetória semelhante, com o indicador subindo de 67,9 pontos no terceiro trimestre para 84,4 pontos no quarto, um aumento de 16,5 pontos. As matérias-primas também manterão sua pressão, com o índice passando de 73,2 para 78,1 pontos.
Faturamento em recuperação, mas exportações estagnadas
Em contrapartida à alta nos custos, os indicadores de atividade mostram uma recuperação tímida. O faturamento do setor metalúrgico registrou uma leve alta de 1,8 ponto no terceiro trimestre, alcançando 41,1 pontos, ainda em território de contração, mas com expectativas de aproximação da estabilidade no quarto trimestre, com o índice previsto em 46,9 pontos. Contudo, as exportações se consolidam como o ponto mais fraco. O indicador permaneceu em 37,5 pontos no terceiro trimestre e a previsão é de estagnação para o quarto, indicando uma continuidade da debilidade no comércio exterior.
Emprego resiliente apesar dos custos laborais
Diante da fragilidade da atividade e das vendas externas, o emprego no setor metalúrgico demonstra resiliência. O indicador manteve-se acima da faixa de estabilidade em 51,8 pontos no terceiro trimestre e projeta uma melhora para 53,1 pontos no encerramento do ano, sinalizando um crescimento moderado na ocupação. Essa estabilidade contrasta, porém, com o encarecimento da mão de obra. Os custos laborais já registravam 73,2 pontos no terceiro trimestre e a expectativa é de intensificação significativa para 81,3 pontos no quarto trimestre. A Confemetal aponta o absentismo laboral e a dificuldade em encontrar pessoal qualificado como os maiores entraves para as empresas.
Desafios e perspectivas futuras
A combinação de custos crescentes de energia, transporte e mão de obra, aliada à persistente debilidade nas exportações, impõe um desafio significativo para a rentabilidade da indústria metalúrgica espanhola. Embora o faturamento e o emprego demonstrem sinais de recuperação, a pressão inflacionária nos insumos pode comprometer a margem de lucro das empresas. A Confemetal busca entender melhor a escassez de mão de obra especializada, um fator que limita diretamente a capacidade produtiva. O cenário para o fim de 2026 exige atenção redobrada das companhias e possíveis estratégias para mitigar o impacto dessas pressões de custo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





