O avanço da inteligência artificial (IA) tem transformado a maneira como as empresas operam, prometendo eficiência e novas fronteiras de atuação. Contudo, em meio a essa revolução tecnológica, o CEO global da Dentons, Elliott Weisberg, levanta uma questão crucial: o que a IA não pode substituir e que, paradoxalmente, pode ser o maior diferencial competitivo de uma organização? Segundo Weisberg, essa qualidade insubstituível é a confiança.

Em um artigo publicado na Fortune, Weisberg argumenta que a tecnologia permitiu alcançar mais mercados e otimizar tarefas diárias, liberando tempo para criatividade e exploração. No entanto, ele alerta que essa corrida pela eficiência pode ter nos levado a negligenciar a base de qualquer negócio de sucesso: a confiança. Embora a tecnologia aproxime as pessoas virtualmente, ela também intensifica a necessidade de conexões humanas mais profundas. Interações informais, como um breve bate-papo ou um conselho rápido em um corredor, embora menos frequentes, possuem um impacto significativo e constroem relações mais fortes do que a comunicação puramente transacional.

A IA e a Erosão da Conexão Humana

A dependência crescente da IA, embora traga eficiência, pode estar substituindo oportunidades valiosas de interação humana. Weisberg aponta que, ao consultar uma IA, perde-se a chance de pedir feedback a um colega sobre uma ideia ou de buscar conselhos para uma conversa difícil. Um relatório citado pelo CEO destaca que a construção de relacionamentos sólidos com stakeholders é um poderoso impulsionador de melhores resultados de negócios. Essas relações são frequentemente forjadas nas margens do trabalho cotidiano, nos momentos informais. Ao criar espaço para conexões significativas, as empresas fortalecem laços e cultivam a confiança.

Confiança Pessoal vs. Institucional

O cenário global atual, marcado por uma diminuição da confiança em instituições distantes, segundo o Edelman Trust Barometer, corrobora a tese de Weisberg. A confiança está crescendo dentro das redes pessoais, incluindo colegas de trabalho e empregadores. Quando a confiança floresce em equipes, a comunicação se torna mais aberta, permitindo que pontos de vista sejam desafiados e preocupações sejam expressas de forma construtiva. Esse ambiente de respeito mútuo, mesmo com tensões saudáveis, é onde ideias são testadas, a franqueza leva a melhores insights e a inovação prospera. As organizações que equilibram a necessidade de velocidade com o investimento em pessoas e relacionamentos serão as mais bem-sucedidas.

Cultivando a Confiança na Era Digital

Weisberg compartilha aprendizados práticos para cultivar a confiança. O primeiro é investir em conexão significativa, relembrando como líderes priorizaram o contato humano durante a pandemia. Ele cita a "hora da gratidão" em sua agenda, um tempo dedicado a enviar notas de apreço, um gesto que faz as pessoas se sentirem valorizadas e constrói confiança. Outra estratégia é fazer a organização parecer menor, incentivando a comunicação e o aprendizado entre equipes e diferentes partes do negócio, além de criar comunidades globais com propósito compartilhado. Liderar pela escuta ativa, entendendo as necessidades de novos contratados, membros mais jovens da equipe e clientes, é igualmente crucial. Por fim, a consistência é fundamental: entregar o prometido, ter comportamento previsível e eliminar surpresas solidifica a confiança, enquanto a inconsistência a erode rapidamente.

O Futuro do Trabalho: Tecnologia e Confiança

Em última análise, enquanto a tecnologia transforma a forma como trabalhamos, a confiança determinará o sucesso. A busca por velocidade, escala e eficiência não deve ofuscar a importância da confiança, um elemento essencial para o sucesso duradouro. A confiança não pode ser automatizada ou acelerada; ela é conquistada através de ações consistentes, relacionamentos significativos e genuína conexão humana. As empresas que priorizarem esses aspectos, mesmo em um mundo dominado pela IA, estarão mais bem posicionadas para prosperar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune