A paisagem urbana está mudando, e com ela, os empregos do futuro. A entrega de drones, antes restrita à ficção científica, tornou-se uma realidade que exige novas habilidades e cria novas profissões. Trevor Wischnewsky, um piloto remoto em comando (RPIC) na FlyTrex, exemplifica essa transformação. Sua função é análoga à de um controlador de tráfego aéreo, mas em vez de aeronaves convencionais, ele gerencia frotas de drones que realizam entregas em um raio de três milhas, coordenando o tráfego com outras empresas como Zipline, Amazon e Alphabet.

A Nova Fronteira da Aviação

Para ingressar nessa área emergente, a experiência em aviação é crucial. Wischnewsky, por exemplo, já estava em treinamento para se tornar piloto comercial e instrutor de voo, além de possuir certificação da FAA como piloto de drones. A FlyTrex exige essas credenciais e um curso de treinamento aprovado pela FAA, garantindo que os pilotos estejam preparados para intervir em caso de necessidade. Embora não pilotem diretamente as aeronaves, os RPICs monitoram o processo de entrega a partir de centros de operações, utilizando dados de GPS, lasers e sensores para garantir a segurança e a eficiência das operações.

Confiança na Tecnologia e Colaboração

Um dos desafios iniciais para profissionais como Wischnewsky é a confiança na tecnologia de automação. Em aeronaves tripuladas, a instrução clássica é "não confie na automação". No entanto, o ecossistema de drones, especialmente em áreas como Dallas-Fort Worth, é um campo de testes para sistemas de gerenciamento de tráfego de aeronaves não tripuladas (UTM). O UTM permite que drones autônomos de diferentes empresas compartilhem suas coordenadas em tempo real, evitando colisões mesmo além da linha de visão do piloto. Uma vez que o drone está pronto para voo, o caminho está livre e as condições meteorológicas são favoráveis, o UTM assume o controle, liberando o RPIC para focar em outros aspectos da operação.

Habilidade em Gerenciar a Pressão

A capacidade de manter a calma sob pressão é fundamental. Em seus momentos mais movimentados, Wischnewsky pode supervisionar até dez drones simultaneamente. Ele atua como uma "rede de segurança", garantindo que, mesmo com a automação, a consciência situacional seja mantida. O principal perigo, como em qualquer operação aérea, é o clima. Wischnewsky relata um incidente em que ventos repentinos exigiram sua intervenção imediata para garantir o pouso seguro de um drone, salvando uma entrega de bolo de sorvete de um destino indesejado.

O Futuro do Trabalho Aéreo

A emergência de cargos como o de controlador de tráfego aéreo de drones sinaliza uma mudança significativa no mercado de trabalho. À medida que a tecnologia avança e a regulamentação se adapta, novas oportunidades surgirão, exigindo uma combinação única de conhecimento técnico, adaptabilidade e resiliência. A colaboração entre empresas e a confiança em sistemas automatizados serão pilares para a expansão segura e eficiente dessas operações aéreas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · MIT Technology Review