A Copersucar, gigante global na comercialização de açúcar e etanol, estabeleceu uma meta ambiciosa para a temporada 2026/27. O grupo projeta elevar sua moagem de cana-de-açúcar para mais de 125 milhões de toneladas, um salto significativo em relação às 108 milhões de toneladas processadas no ciclo 2025/26. Esse movimento é sustentado pela expansão da base operacional da companhia, que passará a contar com 42 unidades produtoras no Brasil.

O otimismo da empresa ocorre em um cenário de demanda crescente, apesar dos riscos logísticos e produtivos impostos pelo fenômeno climático El Niño. Segundo a companhia, a estratégia de diversificação de ativos e a robustez da plataforma de negócios permitiram resultados expressivos, como o lucro líquido de R$ 631 milhões registrado na safra anterior, um avanço de 56,9%.

Expansão operacional e resiliência

A estratégia da Copersucar para os próximos anos baseia-se na escala. Ao aumentar o número de usinas associadas, a empresa ganha poder de negociação e maior capilaridade no mercado global. A integração com braços internacionais, como a Eco-Energy nos Estados Unidos, oferece um hedge natural contra a volatilidade dos preços das commodities, permitindo que a companhia capture margens mesmo em ciclos de baixa nos mercados internacionais de açúcar.

Historicamente, a Copersucar tem utilizado sua posição de liderança para consolidar volumes em um setor marcado pela fragmentação. A capacidade de negociar 17 milhões de toneladas de açúcar na última safra, com ganho de participação de mercado, demonstra que a eficiência logística é tão crucial quanto o volume de produção bruto para manter a rentabilidade em períodos de preços pressionados.

O impacto do El Niño e a arbitragem de preços

O fenômeno El Niño introduz uma variável de incerteza importante. Embora as chuvas possam favorecer o desenvolvimento dos canaviais em certas regiões, o excesso de precipitação atua como um gargalo operacional, interrompendo a colheita, a moagem e o escoamento dos produtos. A gestão desses riscos climáticos é, portanto, o principal desafio técnico para garantir que a projeção de 125 milhões de toneladas se materialize em produto final.

Paralelamente, a empresa monitora a arbitragem entre o açúcar e o etanol. Com as cotações do açúcar próximas a mínimos de seis anos em Nova York e o etanol apresentando maior remuneração, o mix de produção torna-se uma ferramenta de gestão dinâmica. As usinas, segundo a companhia, deverão ajustar a destinação da cana mês a mês, buscando o melhor retorno financeiro conforme a oferta e a demanda global se equilibram.

Implicações para o mercado global

A posição da Copersucar reflete as tensões do mercado sucroenergético brasileiro frente à concorrência global. Enquanto o Brasil amplia sua produção, a performance de produtores em países como a Índia — onde o clima também pode afetar a oferta — dita o tom dos preços internacionais. Para o ecossistema brasileiro, a solidez da Copersucar é um indicador de que o setor está migrando para um modelo de maior eficiência industrial e financeira.

Reguladores e investidores observam a capacidade da empresa em navegar esses ciclos sem comprometer o fluxo de caixa. A flexibilidade operacional, que permite transitar entre mercados de energia e adoçantes, posiciona o grupo como um player estratégico na transição energética e na segurança alimentar global.

Perspectivas e incertezas

O que permanece em aberto é a extensão real dos impactos climáticos sobre a logística de exportação nos próximos meses. Se as chuvas persistirem além do esperado, o gargalo logístico pode limitar o potencial de exportação, independentemente do volume de cana disponível no campo.

O mercado aguarda agora a definição do mix de produção das usinas ao longo do segundo semestre. A capacidade da Copersucar em calibrar essa oferta determinará não apenas sua rentabilidade, mas também a estabilidade dos preços das commodities no mercado interno e externo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times