A venda da unidade de cimentos da CSN segue em um impasse, com o preço se tornando o principal ponto de atrito entre a companhia e os potenciais compradores. Segundo informações da agência Reuters, a CSN confirmou ter recebido propostas, mas os valores ainda não agradaram. Entre os interessados estariam a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e a italiana Cementir.

O cabo de guerra nos números expõe a tensão central da transação: a necessidade de a CSN fazer caixa para reduzir seu endividamento versus a percepção de valor do mercado. O desencontro não é trivial e funciona como um termômetro para o apetite por ativos industriais no Brasil e para a capacidade de negociação de Benjamin Steinbruch em um momento crucial para o balanço da companhia.

O dilema do valuation

As cifras revelam o tamanho da divergência. As ofertas iniciais teriam girado em torno de R$ 10 bilhões, um valor consideravelmente abaixo da pedida original da CSN, que era de R$ 15 bilhões. Fontes anônimas citadas na reportagem indicam que a siderúrgica já teria ajustado sua meta para um patamar mínimo de R$ 12 bilhões.

Essa diferença de bilhões de reais não é apenas um detalhe de negociação. Ela reflete, de um lado, a urgência da CSN em executar seu plano de desinvestimento e, de outro, a cautela dos compradores, que podem estar precificando riscos setoriais ou simplesmente exercendo seu poder de barganha diante de um vendedor pressionado. O Morgan Stanley, que assessora a venda, tem a tarefa de encontrar um ponto de equilíbrio.

As alternativas na mesa

O mercado observa com atenção os próximos passos. Caso as ofertas pela CSN Cimentos continuem abaixo do esperado, a companhia pode ser forçada a buscar outras estratégias para gerenciar sua dívida. Tal movimento atrasaria o cronograma de desalavancagem, um pilar importante da tese de investimento na empresa.

A CSN não aposta todas as suas fichas em uma única transação. A companhia também contratou o Bradesco BBI e o Citi para coordenar a venda de uma fatia minoritária em suas operações de infraestrutura e logística. Ainda assim, a alienação da unidade de cimentos é vista como uma peça-chave no quebra-cabeça financeiro do grupo.

A negociação em curso é, portanto, um jogo de alta pressão. O preço final não apenas definirá o futuro da CSN Cimentos, mas também servirá de baliza para o valor de ativos na indústria pesada brasileira. A questão que fica é se a estratégia será ceder no preço para acelerar a redução da dívida ou se a CSN buscará outros caminhos, testando a paciência de seus credores e investidores.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times