A CSN confirmou o recebimento de propostas vinculantes por sua unidade de cimentos, um movimento essencial em sua estratégia para reduzir um endividamento que se torna cada vez mais pesado. O processo competitivo, que vinha sendo desenhado desde o início do ano, entra agora em sua fase decisiva.
Segundo reportagens da Reuters, a disputa pelo ativo opõe a gigante chinesa Huaxin a um consórcio formado pela brasileira Votorantim e a italiana Cementir. As propostas na mesa, de acordo com fontes de mercado, podem ultrapassar a marca de R$ 10 bilhões. Mais do que uma simples venda de ativo, a transação é um termômetro da capacidade do conglomerado de Benjamin Steinbruch de reestruturar seu balanço sob pressão.
O peso da dívida
A urgência da venda é sublinhada pela recente decisão da agência Fitch, que rebaixou o rating da CSN para 'CCC+'. A justificativa aponta para a deterioração da flexibilidade financeira, queima de caixa contínua e uma estrutura de capital insustentável. A agência projeta que a dívida total da companhia pode superar os R$ 60 bilhões até 2027, com a alavancagem líquida atingindo 5,1 vezes o Ebitda.
Neste cenário, a venda da CSN Cimentos não é uma opção, mas uma necessidade. O movimento faz parte de um plano mais amplo de desinvestimentos, que inclui também uma participação na CSN Infraestrutura, para levantar capital e reequilibrar as contas. O mercado agora observa se o valor obtido será suficiente para aplacar as preocupações dos credores e das agências de risco.
Xadrez estratégico e regulatório
As propostas na mesa apresentam futuros distintos para o mercado de cimento no Brasil. Uma vitória do consórcio liderado pela Votorantim representaria uma forte consolidação do setor, com um escrutínio inevitável e potencialmente longo por parte do Cade, o conselho antitruste. A alternativa, uma aquisição pela Huaxin, significaria a entrada de um novo e capitalizado competidor internacional no país.
A complexidade aumenta com a possibilidade, noticiada pela Bloomberg, de a CSN manter uma participação minoritária no negócio, talvez segurando uma fábrica estratégica. Essa estrutura permitiria à empresa capturar parte de uma futura valorização, mas pode complicar as negociações. O cronograma para fechar o negócio até o fim do ano, como sinalizado pela diretoria, parece otimista diante dos obstáculos regulatórios que se avizinham, especialmente no caso de uma vitória da Votorantim.
A decisão final de Steinbruch não será apenas sobre o maior cheque. Envolverá um cálculo complexo entre a necessidade imediata de caixa, as sinergias operacionais de uma possível participação remanescente e, principalmente, o caminho que oferece menos atrito com os órgãos de defesa da concorrência para garantir que o dinheiro chegue ao caixa o mais rápido possível.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





