Um levantamento das carteiras de BDRs recomendadas para agosto revela um consenso curioso no mercado brasileiro. No topo da lista, com cinco indicações cada, estão duas gigantes de setores radicalmente distintos: a Amazon, pilar da economia digital, e a Eli Lilly, uma das líderes da nova era farmacêutica. A escolha reflete menos uma visão de curto prazo e mais uma aposta em duas das mais poderosas teses de crescimento secular da atualidade.

Segundo a compilação, realizada pelo Money Times a partir de relatórios de casas como BTG Pactual, Santander e Safra, a preferência por esses dois nomes não é acidental. Ela sinaliza onde os analistas enxergam valor resiliente: na infraestrutura que move o mundo digital e na ciência que redefine a saúde humana. Logo atrás, com quatro menções, aparecem Nvidia, Micron, TSMC e Alphabet, reforçando a aposta no ecossistema de tecnologia.

A tese da infraestrutura

A visão sobre a Amazon amadureceu. Para os analistas, a companhia é muito mais que uma varejista online. O verdadeiro motor, como destacam relatórios do Santander e do BTG Pactual, é a Amazon Web Services (AWS). A nuvem da Amazon não é apenas um negócio de margens elevadas; é a infraestrutura fundamental para o comércio, o streaming e, crucialmente, para a nascente economia de inteligência artificial. A aposta na Amazon é, portanto, uma aposta na espinha dorsal da digitalização.

Nessa leitura, a diversificação em streaming e publicidade não são negócios paralelos, mas camadas que fortalecem o ecossistema e geram dados, retroalimentando a própria AWS. Investir no BDR da Amazon hoje é comprar uma participação na plataforma sobre a qual boa parte da inovação tecnológica é construída, uma tese que se estende a outras recomendadas como Nvidia e TSMC, fornecedoras dos componentes físicos dessa mesma infraestrutura.

A revolução farmacêutica

Do outro lado do espectro está a Eli Lilly, cuja tese de investimento é impulsionada por uma revolução bioquímica: os medicamentos da classe GLP-1. Fármacos como Mounjaro e Zepbound, voltados para diabetes e obesidade, criaram um mercado de potencial astronômico e transformaram a farmacêutica numa das empresas mais valiosas do mundo. Para casas como Empiricus e Safra, o sucesso desses tratamentos é apenas o começo.

A demanda global por essas soluções, somada a um robusto pipeline de novos produtos — incluindo versões orais e tratamentos para Alzheimer —, posiciona a Eli Lilly para um ciclo de crescimento sustentado. Os riscos, apontados pela própria Empiricus, existem: a forte concorrência no mercado de GLP-1 e a pressão sobre preços são desafios reais. Ainda assim, a aposta é clara: a ciência da Eli Lilly está solucionando um dos maiores desafios de saúde pública global, com um modelo de negócio altamente escalável.

As escolhas dos analistas para agosto, portanto, desenham um mapa das grandes forças que moldam a economia. De um lado, o poder computacional que define a próxima década. Do outro, o poder bioquímico que redefine o bem-estar. Para o investidor brasileiro, os BDRs se tornam o veículo para acessar, de forma direta, essas duas narrativas de transformação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times