O mercado brasileiro de capitais vive um agosto de forte aversão ao risco, com uma saída relevante de capital estrangeiro da B3 em meio às incertezas do calendário eleitoral. Para a Dahlia Capital, no entanto, a turbulência vista até agora pode ser apenas o prelúdio. A gestora adverte que a volatilidade nos ativos locais deve aumentar nas próximas semanas.
A tese central, detalhada em carta a investidores, é que a dinâmica do pleito atual é diferente da tradicional. O eleitor parece mais decidido sobre quem rejeita do que sobre quem prefere. Essa lógica, segundo a Dahlia, adia a decisão final e reduz a capacidade preditiva das pesquisas de intenção de voto, justificando uma postura mais conservadora nos portfólios.
O voto estratégico
Quando a escolha nas urnas é motivada pela rejeição, o processo se torna mais estratégico. O eleitor não busca um candidato ideal, mas aquele com mais chances de derrotar o nome que considera mais prejudicial. Segundo a análise da Dahlia, isso explica por que as pesquisas podem retratar mais um processo em andamento do que uma decisão consolidada. Pequenas mudanças de percepção podem gerar deslocamentos relevantes na reta final da campanha, especialmente quando as alternativas são vistas como imperfeitas.
Diante deste cenário doméstico incerto, somado a um ambiente externo mais adverso com juros de longo prazo elevados nos Estados Unidos, a gestora opta pela cautela. A Dahlia mantém sua alocação em ações brasileiras abaixo da média histórica, com posições concentradas em setores mais resilientes como bancos e energia. A preferência recai sobre ações americanas, especialmente em semicondutores e hyperscalers, além de proteções cambiais.
Para a gestora, o preço do risco eleitoral brasileiro ainda não foi totalmente incorporado aos ativos. A estratégia é navegar a turbulência com posições defensivas, aguardando maior clareza sobre um cenário que, por sua natureza, tende a ser definido apenas nos últimos momentos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney




