As ruas de Valência ecoaram, mais uma vez, o clamor por justiça. Cerca de um ano e meio após a devastadora dana que varreu a região em outubro de 2024, deixando um rastro de 234 mortes, as vítimas e seus familiares voltaram a se reunir. A manifestação, carregada de simbolismo e emoção, não foi apenas um ato de memória, mas um grito por responsabilidade e reconhecimento. O lema 'Consell dimissió' — um pedido direto de renúncia do governo regional — e a escolha de um formato que deixava um espaço vazio no centro da Plaza de la Virgen, em homenagem aos que se foram, evidenciaram a profundidade da dor e a persistência da luta.
A persistência da memória e a busca por respostas
Aquelas que perderam entes queridos na tragédia de 2024 não se deixam silenciar. A presidente da Associação Vítimas Mortais DANA 29-O, Rosa Álvarez, reafirmou a legitimidade de sua presença nas ruas, contrastando-a com o que considera ser a ilegitimidade de quem, em sua visão, ainda se esquiva de assumir responsabilidades. A crítica se estende a figuras políticas que, mesmo após deixarem cargos específicos, permanecem no cenário público, com a percepção de que continuam a "enganar as famílias". A manifestação, que reuniu mais de 3.500 pessoas segundo a Delegação do Governo, ressaltou a resiliência dos que buscam não apenas o reconhecimento das perdas, mas também a responsabilização por falhas percebidas na gestão da emergência climática.
Críticas à gestão política e à falta de empatia
A manifestação também direcionou críticas contundentes à atual prefeita de Valência, María José Catalá. Acusada de tentar desincentivar a participação ao alertar sobre possíveis tumultos, a prefeita é vista pelas vítimas como alguém que falha em priorizar a segurança e o bem-estar dos cidadãos. A ausência de um reconhecimento formal e de homenagens às vítimas por parte da prefeitura foi apontada como um sinal de descaso. A fala de Mariló Gradolí, presidente da Associação de Vítimas da DANA 29 d'Octubre, reforçou a ideia de que as ruas continuarão sendo o palco da reivindicação pela verdade, justiça e reparação, mesmo diante de tentativas de dissuasão.
A lição não aprendida
A recente dana Adam serviu, para as vítimas, como um espelho da gestão considerada "negligente e criminosa" de 2024. A capacidade de aprender com os erros, argumentam, passa pela assunção de responsabilidades, algo que ainda não ocorreu. A ausência de um pedido de desculpas genuíno e a falta de clareza sobre os fatos impedem que a justiça seja plenamente alcançada. A esperança reside, em parte, na atuação do Tribunal Constitucional para que Carlos Mazón possa ser questionado diretamente sobre suas ações naquele dia fatídico.
Um futuro de vigilância e exigência
As palavras finais do manifesto soaram como um compromisso inabalável: "Não são mortos, são assassinados". A acusação direta à negligência do governo valenciano, que teria transformado uma catástrofe natural em uma tragédia humana, ressoa com força. As reivindicações vão além da memória; incluem atenção à saúde mental, planos de emergência robustos e formação para a população. O pedido para que Mazón entregue seu mandato e que todo o Consell renuncie é um marco na exigência por accountability. A manifestação, que se autodefine como pertencente às vítimas e ao povo organizado, promete continuidade: a luta por verdade e justiça é apresentada como um processo contínuo, que exige vigilância constante e participação ativa da sociedade civil para que tais tragédias não se repitam.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




