A Câmera no Bolso e o Início de Tudo
A fotografia, para muitos, começa com um clique casual. Para Jim Kasson, essa jornada se iniciou em 1951 ou 1952, aos oito ou nove anos, quando recebeu de seus pais uma Kodak Brownie Hawkeye. A câmera, feita de baquelite, produzia imagens quadradas em filme 620 e possuía um visor rudimentar e um botão de disparo acionado com o polegar. Carregada com filme Super-XX, essa pequena máquina foi o ponto de partida para uma paixão que o acompanharia por décadas, transformando-o de um curioso em um observador atento do mundo através da lente.
Desde então, Kasson percorreu um longo caminho, experimentando diversos gêneros fotográficos, do documentário ao fotojornalismo e à arte. Sua trajetória é um testemunho da evolução da própria fotografia, um campo que passou por revoluções tecnológicas e estéticas. Hoje, seu kit inclui equipamentos de ponta como a Nikon Z8, a Hasselblad X2D II e a Fujifilm GFX 100 II, demonstrando uma adaptação contínua às inovações que moldam a maneira como capturamos e interpretamos o mundo visual.
A Evolução do Ofício: Do Banheiro à Nuvem
Os primeiros passos de Kasson no universo da fotografia foram marcados pela simplicidade e pela improvisação. A descoberta de que o processamento em farmácia era proibitivo o levou a montar um laboratório caseiro no banheiro. Com um kit rudimentar que incluía um tanque de revelação Kodak, químicos em sachês e uma bandeja de plástico, ele transformou um espaço doméstico em um santuário criativo. Essa experiência inicial, embora desafiadora – especialmente para a mãe –, foi fundamental para internalizar o processo fotográfico, desde a revelação até a impressão.
Mais tarde, durante o ensino médio, a oportunidade de trabalhar para o jornal da escola o impulsionou a um novo patamar. Equipado com um fotômetro Weston Master II e a câmera de fole da família, uma Zeiss Ikon que usava filme 120, ele se deparou com desafios técnicos inéditos. O aprendizado com o tanque de revelação Nikor, diferente do que estava acostumado, e o uso de um ampliador pela primeira vez, foram marcos em sua formação. Esses momentos, repletos de aprendizado prático e superação de obstáculos, solidificaram sua carreira como fotojornalista e sua compreensão profunda dos processos técnicos.
A Busca pela Visão Atual: Equipamentos em Constante Mudança
A diversidade de equipamentos que Kasson utilizou ao longo de sua carreira é impressionante. De câmeras de grande formato como a Graflex Speed Graphic 4x5 e a Linhof Technika, a icônicas marcas como Hasselblad, Mamiya e Leica, sua experiência abrange um vasto espectro de tecnologias fotográficas. Essa exploração não é aleatória; é guiada por uma filosofia pragmática: "Minha peça de equipamento favorita é aquela que melhor me permite realizar minha visão atual para uma série. Portanto, isso muda de série para série."
Atualmente, sua preferência recai sobre a Fujifilm GFX 100 II com a lente macro Rodenstock 105mm F5.6 HR Digaron. Essa escolha reflete um compromisso em utilizar as ferramentas mais adequadas para expressar suas ideias em cada projeto. A constante renovação de seu kit demonstra que a tecnologia é um meio, não um fim, e que a busca pela imagem perfeita exige uma sintonia fina entre a intenção artística e os recursos técnicos disponíveis.
A Arte de Ouvir a Própria Obra
Kasson acredita firmemente que a melhoria na fotografia vem da observação atenta do próprio trabalho. Em vez de tentar emular estilos alheios, ele propõe uma abordagem introspectiva: "Se você prestar atenção, seu trabalho lhe dirá o que você precisa fazer para melhorá-lo." Essa filosofia o levou a trabalhar em séries, dedicando-lhe de dois a cinco anos, permitindo que um tema se desenvolvesse plenamente antes de seguir para o próximo.
Essa dedicação a projetos de longo prazo, como "Pastures of Plenty" ou "Alone in a Crowd", permitiu-lhe explorar temas com profundidade e nuance. A constante experimentação e a disposição para aprender com os resultados, mesmo os que não saem como planejado, são os pilares de seu desenvolvimento contínuo. A fotografia, para Kasson, é um diálogo permanente entre o fotógrafo, sua câmera e o mundo que ele escolhe retratar, um processo onde a escuta ativa da própria obra é a chave para o aprimoramento.
A jornada de Jim Kasson, iniciada com uma simples Kodak Brownie e evoluindo para um complexo arsenal digital, é um convite à reflexão sobre a persistência, a adaptação e a busca incessante pela expressão artística na fotografia. Sua experiência sublinha que, independentemente da tecnologia, a visão do fotógrafo e a disposição para aprender com a própria arte permanecem como os elementos mais cruciais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · DPReview





