Uma análise visual que compila dados de consultorias como Gartner e Counterpoint Research joga luz sobre uma das transformações mais radicais da indústria de consumo: a do mercado de celulares. O gráfico, reportado pelo site espanhol Xataka, compara a distribuição de mercado entre 2007 e os dias atuais, revelando um verdadeiro cemitério de gigantes e a ascensão de novos impérios.

Em 2007, a finlandesa Nokia era soberana, detendo quase o dobro de participação de seu concorrente mais próximo. BlackBerry vivia sua era de ouro, e marcas como Motorola e Palm eram relevantes. Hoje, o pódio é dividido entre a sul-coreana Samsung e a americana Apple, mas a verdadeira força em volume vem da China, com um pelotão formado por Xiaomi, Vivo e Oppo. A lição é clara: no jogo da tecnologia, nenhuma coroa é permanente.

A era dos impérios caídos

O ano de 2007 é um marco crítico. O primeiro iPhone havia acabado de ser lançado, mas o Android comercial ainda não existia. O mundo era dos feature phones, e a Nokia era a mestra indiscutível do jogo, com hardware robusto e um sistema operacional, o Symbian, que parecia inabalável. Naquele mesmo ano, a BlackBerry, com seu teclado físico e o pioneiro serviço de mensagens, se consolidava como a ferramenta essencial do mundo corporativo, chegando a atingir 21% de market share em 2009.

A derrocada desses titãs não se deu por fabricarem produtos ruins, mas por uma falha de visão estratégica. Ambos subestimaram a magnitude da transição para os smartphones como plataformas abertas de software. Enquanto a Nokia e a BlackBerry se apegavam a seus ecossistemas fechados e à excelência em hardware, a Apple e o Google reescreviam as regras do jogo, transformando o celular em um portal para aplicativos e serviços, onde o software ditaria o valor da experiência.

O novo eixo do poder

O mapa do poder na indústria de celulares foi completamente redesenhado. A dominância que um dia foi da Finlândia (Nokia) e dos Estados Unidos (Motorola, BlackBerry) migrou decisivamente para a Ásia. A Coreia do Sul, com a Samsung, e, sobretudo, a China, com seu exército de marcas competitivas, hoje definem a dinâmica do mercado global. Xiaomi, Vivo, Oppo e Realme, que sequer existiam ou eram irrelevantes há uma década, hoje ocupam posições de destaque no ranking global.

Este novo cenário opera sob uma lógica distinta. O crescimento explosivo deu lugar a um mercado de reposição, onde o avanço anual é marginal e impulsionado pela troca de aparelhos por modelos mais novos, especialmente no segmento premium e com a adoção do 5G. A competição se tornou uma batalha por margens, eficiência de cadeia de suprimentos e pela capacidade de oferecer mais recursos por um preço menor — um jogo no qual os fabricantes chineses se provaram extremamente competentes.

A história da ascensão e queda no mercado de celulares é um lembrete constante sobre a impermanência da liderança tecnológica. As mesmas forças que derrubaram a Nokia podem, eventualmente, desafiar os líderes atuais. A questão que permanece não é apenas quem será a próxima marca a dominar, mas qual será a próxima plataforma a redefinir o que significa um dispositivo pessoal conectado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka