A colaboração entre a empresa de biotecnologia Polybion e o estúdio de design Natural Urbano, ambos do México, resultou em uma coleção de luminárias que substitui o abajur tradicional por um biomaterial cultivado em laboratório. Batizado de Cenit, o sistema de iluminação utiliza um material chamado Celium, produzido a partir de celulose bacteriana alimentada com resíduos de frutas da agroindústria.
O projeto não é um mero exercício estético. Segundo reportagem da revista americana Fast Company, o desenvolvimento do Celium consumiu mais de uma década de pesquisa. A leitura aqui é que o lançamento sinaliza um ponto de inflexão para o campo do biodesign: a transição de experimentos conceituais para produtos de consumo viáveis, com apelo estético e uma cadeia produtiva estruturada.
O DNA do Celium
A inovação da Polybion não está na descoberta da celulose bacteriana, um biopolímero natural, mas na criação de uma plataforma industrial para produzi-la de forma consistente. O processo começa com o reaproveitamento de resíduos de frutas, que se transformam em um meio de cultura para as bactérias. À medida que crescem, os microrganismos tecem a celulose em uma folha contínua. Quando a espessura desejada é atingida, o material é colhido e refinado.
Essa etapa de acabamento permite ajustar características como flexibilidade, textura, cor e performance, resultando em dois tipos principais: Manto, mais leve e translúcido, e Espumante, com um toque mais denso e similar a uma espuma. Essa versatilidade transforma uma capacidade biológica em uma plataforma de materiais que pode ser integrada a diferentes indústrias, muito além do design de interiores.
Do laboratório à sala de estar
Na coleção Cenit, as folhas de Celium são suspensas em uma estrutura de madeira de freixo, criando um contraste entre o orgânico e o manufaturado. Quando acesa, a luminária emite um brilho quente que revela as texturas e gradientes do biomaterial. Cada peça é feita sob encomenda, um processo que leva cerca de cinco semanas, posicionando o produto no segmento de alto padrão.
Este não é o primeiro projeto da parceria. Uma colaboração anterior, a Lapso, já utilizava o Celium em um formato que remetia a uma água-viva, indicando a busca contínua por novas aplicações. A iniciativa se insere em uma tendência emergente de biodesign, que busca dar nova vida a resíduos, transformando-os em matéria-prima funcional — como azulejos feitos de escamas de peixe ou materiais de construção impressos em 3D a partir de milho.
O caminho para que biomateriais como o Celium compitam em escala e custo com plásticos, tecidos e vidros ainda é longo. Contudo, projetos como o Cenit demonstram que o ponto de partida para um objeto de design sofisticado pode, de fato, ser o lixo industrial. A questão não é mais se é possível, mas quão rápido essa transformação pode se tornar economicamente viável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





