A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu um passo decisivo para selar o futuro de uma das joias da indústria de defesa brasileira. O órgão recomendou a aprovação, sem restrições, da compra da Avibras pela sociedade dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS.
O movimento representa uma potencial virada de chave para a Avibras, que desde 2022 enfrenta um processo de recuperação judicial com dívidas que chegaram a R$ 600 milhões. Mais do que um resgate financeiro, a transação é um ato de política industrial: mantém sob controle nacional uma companhia classificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), encerrando um período de incerteza e assédio estrangeiro, segundo reportagem do Money Times.
Uma questão de soberania
A relevância da Avibras transcende o balanço financeiro. Seu portfólio inclui o sistema de artilharia ASTROS, com alcance de até 300 km e presente em diversos mercados, e o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), armamento de precisão em fase final de certificação. A empresa também é peça-chave no Programa Espacial Brasileiro, desenvolvendo componentes críticos como o propulsor S50.
Essa importância estratégica tornou sua crise um tema de segurança nacional. Antes da solução com os Batista, a Avibras esteve na mira da estatal chinesa Norinco e da australiana DefendTex. Ambas as negociações foram barradas pelo governo federal, que via com preocupação a transferência de tecnologia sensível para o exterior. A entrada de capital nacional, portanto, resolve um impasse geopolítico, alinhando os interesses do Estado com uma solução de mercado.
O novo jogo dos Batista
Para os irmãos Batista, a aquisição representa uma diversificação ousada e estratégica, muito distante do seu núcleo de negócios em agronegócio. Com uma injeção inicial de R$ 300 milhões, eles não estão apenas comprando uma fábrica, mas um ativo com altas barreiras de entrada, contratos de longo prazo com governos e enorme valor simbólico.
A aposta, no entanto, não é puramente privada. O sucesso da empreitada depende da sinergia com o poder público. A recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica e a sinalização de ampliação das encomendas estatais foram cruciais para pavimentar o acordo. O negócio consolida um modelo de parceria público-privada para a revitalização de um setor crítico.
A crise imediata da Avibras parece superada. O desafio, agora, é transformar a empresa em uma operação rentável e inovadora em um mercado global competitivo. Para os Batista, o movimento significa assumir um novo papel no tabuleiro do poder brasileiro, onde a fabricação de mísseis e foguetes os coloca no centro de debates sobre soberania e desenvolvimento industrial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





