O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (18) que o governo federal não contempla qualquer medida de controle de preços, mesmo diante da pressão inflacionária sobre os alimentos em um cenário de eleição presidencial. Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, Durigan classificou a ideia como estranha aos objetivos da pasta e destacou que o governo tem buscado alternativas que não envolvam intervenções diretas no mercado.

A declaração ocorre em um momento de atenção redobrada sobre o custo de vida no Brasil. Segundo o ministro, a inflação atual, embora gere descontentamento, encontra-se dentro de patamares controlados quando confrontada com o histórico econômico do país, e a atuação conjunta entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central tem sido o pilar para manter a estabilidade dos preços.

O pilar da disciplina fiscal

Para Durigan, a sinalização de responsabilidade fiscal é o principal antídoto contra a escalada dos preços. O ministro pontuou que o recente bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento é uma medida deliberada para consolidar a confiança dos mercados e da sociedade na trajetória das contas públicas. Essa restrição orçamentária visa, em última análise, dar suporte à política monetária executada pelo Banco Central, tornando-a mais eficiente.

A estratégia de evitar o controle de preços é uma resposta direta à memória econômica brasileira, marcada por fracassos de intervenções artificiais no passado. Ao optar pela via do ajuste fiscal e da coordenação com o Banco Central, o governo busca demonstrar que o combate à inflação será conduzido por meios convencionais, evitando distorções que poderiam comprometer o crescimento no longo prazo.

A dinâmica entre governo e mercado

O mecanismo de controle inflacionário defendido pelo governo baseia-se na premissa de que a previsibilidade fiscal reduz as expectativas de inflação. Ao projetar um superávit para o próximo ano, o Ministério da Fazenda tenta ancorar as expectativas dos agentes econômicos, evitando que a incerteza sobre o gasto público se transforme em pressão sobre os preços dos bens de consumo.

Contudo, o desafio permanece no campo da percepção popular. Enquanto o governo foca em sinalizações técnicas e bloqueios orçamentários, o impacto da inflação de alimentos é sentido diretamente pelo consumidor, o que cria uma tensão política natural em um ano de pleito. A aposta de Durigan é que a manutenção da austeridade, mesmo em um período de forte demanda eleitoral, será o caminho mais seguro para a estabilidade.

Combate às bets e o impacto regulatório

Além da política macroeconômica, o ministro abordou a agenda de regulação do setor de apostas digitais, as chamadas bets. Durigan prometeu novidades em breve sobre operações contra empresas que operam na ilegalidade. A intenção é utilizar o bloqueio de bens como ferramenta de enforcement, elevando o custo da operação irregular e buscando maior controle sobre o fluxo financeiro desses ativos digitais.

Essa abordagem sugere que o governo busca diversificar suas fontes de receita e controle, não se limitando apenas à gestão orçamentária tradicional. A regulação das apostas, além de um tema de segurança jurídica, conecta-se com a necessidade de organizar o mercado interno e evitar evasões que possam impactar a arrecadação e a estabilidade financeira do país.

Perspectivas e desafios futuros

O que permanece em aberto é a capacidade do governo de sustentar o rigor fiscal frente às pressões políticas típicas de um segundo semestre eleitoral. A eficácia do bloqueio de R$ 23 bilhões dependerá da resiliência da equipe econômica em manter as metas, mesmo com demandas por maior gasto público.

O mercado deverá observar atentamente os próximos dados de inflação e a execução orçamentária do Ministério da Fazenda nos próximos meses. A estabilidade dos preços dependerá, em última instância, de quão crível será a sinalização de responsabilidade fiscal para os agentes econômicos que definem os preços no dia a dia.

A postura de Durigan reforça que, ao menos no discurso oficial, o governo optou por não repetir erros de gestões anteriores, mantendo a ortodoxia fiscal como bússola, enquanto lida com a complexidade de um cenário eleitoral que exige equilíbrio entre a economia real e a política.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times