O Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, lançou fortes críticas ao plano econômico proposto pelo senador Flávio Bolsonaro para uma eventual presidência, classificando-o como uma "ilusão vazia" que seduz o mercado com a promessa de redução da dívida pública, mas negligencia aspectos cruciais como a atividade econômica e a geração de empregos.

Em entrevista à CNN Brasil, Durigan, que lidera o plano econômico da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentou que o modelo inspirado em Javier Milei, presidente da Argentina, responde com "ansiedade" à demanda do mercado por um menor endividamento público, sem considerar os efeitos colaterais sobre o crescimento e a balança comercial. "Não adianta a gente querer tratar com um medicamento de alta dosagem o tema do endividamento público e não olhar para o crescimento, não olhar para o emprego, não olhar para a balança comercial, não olhar para projetos estratégicos", declarou o secretário-executivo.

Análise Crítica ao Plano de Flávio Bolsonaro

A crítica de Durigan se concentra na aparente ausência de um plano de gestão econômica abrangente por parte de Flávio Bolsonaro. O número dois da Fazenda apontou que o senador propõe um "cavalo de pau" na condução da economia, com a retirada de R$ 200 bilhões do Orçamento por meio de medidas de ajuste fiscal ainda não detalhadas. Essa magnitude de corte, segundo Durigan, inviabilizaria a execução de políticas públicas essenciais, como saúde e educação, cujos gastos obrigatórios já estão sob escrutínio, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. A equipe de Flávio estuda alterações na correção de benefícios da Previdência Social e do BPC, buscando uma economia de R$ 250 bilhões, o que gerou negações posteriores por parte do senador e seus assessores, apesar do compromisso com um ajuste fiscal rigoroso.

O Contraste com a Gestão Lula e o Modelo Argentino

Durigan contrastou a proposta de Bolsonaro com a gestão do governo Lula, afirmando que o atual executivo organizou as contas do país e defendeu que a elevação da dívida pública não se deveu a resultados fiscais ruins, mas sim ao elevado patamar dos juros. Ele reiterou o compromisso do governo Lula com superávits primários crescentes, com a possibilidade de acelerar o ajuste fiscal. A comparação com o modelo de Javier Milei, embora não detalhada em sua plenitude, sugere uma preocupação com a aplicação de medidas de austeridade extremas sem a devida atenção ao impacto social e produtivo, um ponto que Durigan busca enfatizar para alertar o mercado sobre os riscos de "ilusões vazias".

Implicações da Reforma Tributária e do "Split Payment"

Outro ponto de divergência abordado pelo secretário-executivo foi a postura de Flávio Bolsonaro em relação à reforma tributária. Durigan criticou a proposta de campanha do senador de alterar o mecanismo de "split payment", introduzido na reforma sobre o consumo. Flávio Bolsonaro argumentou que o sistema, que transfere tributos automaticamente ao governo no momento da transação, prejudicaria o fluxo de caixa das empresas, prevendo uma "quebradeira generalizada". Durigan, por outro lado, vê essa proposta como um retrocesso, defendendo que a reforma tributária visa aumentar a eficiência e a produtividade do país, e que a alteração do "split payment" poderia minar esses objetivos.

Perguntas em Aberto sobre o Futuro Econômico

A discussão levanta questões cruciais sobre o futuro da política econômica no Brasil. Enquanto o governo Lula busca um equilíbrio entre o controle fiscal e o crescimento sustentável, a proposta de Flávio Bolsonaro parece priorizar a redução da dívida de forma mais agressiva, com riscos ainda não totalmente elucidados para a economia real. A forma como o mercado absorverá essas críticas e a clareza que será apresentada pelos candidatos sobre seus planos econômicos nos próximos meses serão determinantes para a percepção de risco e investimento no país.

O debate sobre a melhor abordagem para a gestão fiscal e econômica do Brasil segue em curso, com visões distintas sobre como conciliar a responsabilidade com as contas públicas e a necessidade de impulsionar a atividade econômica e o bem-estar social. A crítica de Durigan adiciona uma camada de análise sobre as promessas de campanha e suas potenciais consequências. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times