A EarnOS, startup sediada em Nova York, anunciou uma rodada de financiamento de US$ 18,5 milhões para redefinir a publicidade digital por meio de um modelo de verificação humana. A empresa lançou oficialmente o aplicativo Ero, que remunera usuários por completarem tarefas e interagirem com marcas, criando uma barreira contra o tráfego automatizado que aumenta na web — tendência apontada por relatórios do setor, nos quais o volume de bots já rivaliza, e em alguns recortes supera, a atividade humana.

O aporte foi liderado pela 1kx, com participação de investidores como Coinbase Ventures e Circle Ventures, segundo a empresa. A proposta é que marcas paguem apenas por engajamento de usuários validados, com até 75% do orçamento publicitário destinado diretamente aos consumidores, que recebem as recompensas em stablecoins. A companhia afirma que o desenho facilita o saque e o uso no mundo real, reduzindo fricções para os participantes.

A economia da atenção sob cerco dos bots

A tese central da EarnOS parte da obsolescência de um modelo publicitário concebido quando o tráfego era majoritariamente humano. Com a proliferação de modelos de IA e ferramentas de automação, cresce o desperdício de verbas em cliques e visualizações não humanos. A startup liderada por Phil George tenta capturar valor ao oferecer um ambiente em que a autenticidade é o principal produto — e é remunerada como tal.

Historicamente, o mercado digital tem lutado para distinguir pessoas reais de scripts. A abordagem da EarnOS combina técnica e incentivos: ao transformar atenção e identidade verificadas em ativos econômicos, cria-se motivação para que o usuário se identifique e permaneça ativo. Isso reflete uma tendência de "internet verificada", na qual identidade e prova de humanidade passam a ser requisitos para participar de ecossistemas de valor.

Mecanismos de incentivo e transparência

O funcionamento do Ero baseia-se na execução de tarefas, como interações com conteúdos de marca e, segundo materiais da empresa, até a sincronização de dados de atividade física. Para os anunciantes, o atrativo é a transparência: o custo por aquisição ou engajamento é direcionado a um indivíduo comprovado, reduzindo ruído de métricas infladas por bots. O uso de stablecoins busca dar liquidez global ao modelo, permitindo operação fluida em diferentes mercados.

A EarnOS retém uma fatia do orçamento publicitário, atuando como intermediária que garante a integridade da entrega. No período de testes, a empresa afirma ter contado com 152 marcas parceiras e 3 milhões de inscrições, processando cerca de US$ 50 mil em recompensas — um experimento para validar a viabilidade técnica antes de ampliar a operação para mercados como Reino Unido, Canadá e Austrália.

Implicações para o mercado publicitário

A ascensão de modelos como o da EarnOS pressiona a eficácia do programático tradicional. Se o tráfego automatizado seguir em alta, marcas tendem a migrar parte do orçamento para plataformas que ofereçam garantias de audiência real, mesmo que com custos por engajamento mais transparentes. No ecossistema brasileiro, o desafio é adaptar modelos de recompensa em um ambiente de alta penetração de redes sociais e forte cultura de marketing de influência.

Reguladores e plataformas observam como o uso de criptoativos para recompensas será integrado a normas locais de proteção de dados e de serviços financeiros. O sucesso da EarnOS dependerá da capacidade de escalar seu pool de recompensas — que a empresa estima em cerca de US$ 30 milhões em base anualizada — sem perder a qualidade de engajamento que atrai as marcas.

O futuro da internet verificada

A incerteza sobre a evolução da qualidade da internet permanece um desafio. Phil George reconhece que a experiência online pode se degradar antes de estabilizar, o que tanto pode acelerar a adoção da plataforma quanto dificultar a retenção de usuários no longo prazo.

Os próximos passos da EarnOS indicarão se o modelo de incentivos financeiros é capaz de sustentar uma comunidade de usuários verificados ou se o Ero se limitará a um nicho de recompensas. O mercado acompanha para ver se a promessa de uma internet verificada altera a dinâmica de poder entre anunciantes, plataformas e usuários finais.

Com reportagem do Business Insider (https://www.businessinsider.com/earnos-funding-pitch-deck-brands-advertise-humans-ai-bots-2026-6)

Source · Business Insider