O sol incide com força sobre as águas azul-turquesa de Eivissa, um convite perpétuo à celebração e ao descanso. No entanto, por trás da fachada idílica, a ilha enfrenta um dilema comum a muitos destinos turísticos de renome mundial: o peso da própria popularidade. O Consell d’Eivissa, órgão de governo local, deu um passo significativo ao declarar o histórico Casco Antiguo, o vibrante Paseo Marítimo, a badalada Playa den Bossa e a serena Talamanca como zonas turísticas saturadas e em processo de reconversão. Esta decisão marca o início de um ambicioso plano para reformular a oferta turística da ilha, priorizando a qualidade em detrimento do volume e buscando um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental e social.
O plano de reconversão, que prevê um investimento inicial superior a €35 milhões em ações públicas e privadas, visa revitalizar áreas que sentem o impacto do turismo de massa. As verbas serão direcionadas para a modernização de infraestruturas públicas, como acessibilidade e mobilidade sustentável, além da reordenação e melhoria urbana. A meta é clara: não aumentar o número de leitos turísticos, mas sim elevar a qualidade da experiência oferecida e mitigar os efeitos negativos do turismo, como a gestão de recursos hídricos e a pressão sobre o litoral. O projeto, que conta com o apoio do setor hoteleiro, busca oferecer ferramentas para que estabelecimentos com necessidade de atualização possam reinvestir em suas instalações, garantindo que Eivissa continue a ser um destino desejado, mas de forma mais responsável.
A declaração de zonas saturadas não é um fim em si mesma, mas o ponto de partida para uma série de ações estratégicas. Ao classificar essas áreas como de caráter estratégico, o Consell pretende priorizar a destinação de ajudas públicas para a reabilitação de edificações e espaços. Paralelamente, incentiva-se o governo regional a colaborar em um programa plurianual de investimentos. Os estabelecimentos turísticos que cumprirem os requisitos poderão se beneficiar de um regime extraordinário de modernização, com prazos para solicitação que se estendem até junho de 2029. Este movimento de Eivissa reflete uma tendência global de repensar o turismo, buscando modelos mais sustentáveis e resilientes que beneficiem tanto os visitantes quanto as comunidades locais.
Este é apenas o primeiro passo de um processo que a ilha pretende expandir. O Consell já analisa documentações de outros municípios, com a previsão de estender essas declarações a outras localidades antes do final de 2026. A iniciativa de Eivissa serve como um estudo de caso para outros destinos que enfrentam desafios semelhantes, demonstrando a necessidade de planejamento proativo e investimentos direcionados para garantir a longevidade e a qualidade do setor turístico. A questão que permanece é se essas medidas serão suficientes para reequilibrar a balança e preservar a essência de Eivissa em meio às crescentes demandas do turismo global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





