A Nasdaq, índice com forte viés tecnológico, registrou sua maior queda em um único dia desde abril de 2025, eliminando cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado. A debandada foi desencadeada por temores de um maior escrutínio regulatório sobre a inteligência artificial (IA), especialmente no que tange à construção de centros de dados, após uma vitória ampla dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA. O Índice Nasdaq Composite recuou 5,5%.
O receio predominante é que a nova configuração política possa frear a expansão da infraestrutura de IA. Empresas menores — já pressionadas por juros altos e condições financeiras mais restritivas — podem enfrentar um ambiente de captação ainda mais desafiador. Este movimento representa o segundo dia consecutivo de vendas no setor de IA e a quinta queda superior a 500 pontos no índice desde meados de outubro, um sinal de que o setor, antes em franca ascensão, agora está sob os holofotes.
O Tsunami Azul e o freio na IA
A leitura entre analistas é que a vitória democrata, sobretudo com a conquista de governos estaduais, sinaliza uma desaceleração na expansão de centros de dados como um tema central a ser observado. “O grande resultado das eleições foi, especialmente com os democratas conquistando muitos cargos de governador, que a desaceleração da expansão dos centros de dados é o verdadeiro tema-chave que vai perdurar”, comentou Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading. O Nasdaq Composite já se encontra em território de correção, acumulando queda de quase 12% em relação ao pico em 6 de outubro. A magnitude das baixas sugere que novas vendas podem estar no horizonte, com possíveis reflexos nos mercados asiáticos.
Chips e infraestrutura de IA apanham
Após fortes valorizações recentes, semicondutores e nomes ligados à infraestrutura de IA estiveram entre as maiores quedas. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu 12%, a Nvidia recuou 9% e a AMD (Advanced Micro Devices) despencou 17%. O índice de volatilidade VIX, conhecido como o “medo de Wall Street”, teve seu maior salto desde dezembro de 2024.
Entre os fornecedores de capacidade de computação e ‘neocloud’, analistas citam pressão adicional vinda do custo de financiamento e da maior incerteza regulatória. No crédito, os credit default swaps (CDS) de 5 anos da CoreWeave atingiram um recorde, refletindo percepção crescente de risco no financiamento de projetos intensivos em capital.
Hiperescaladoras e a resistência local
As grandes hiperescaladoras, que haviam resistido às vendas iniciais, também sentiram o impacto: Amazon.com e Alphabet recuaram 2,2% cada. O Nasdaq 100, que reúne as maiores companhias, caiu 6,4%. As vendas indicam que o mercado começa a precificar a resistência local à expansão de data centers. “Haverá muita resistência em relação a esses data centers estarem localizados geograficamente no quintal de alguém, sobrecarregando a rede elétrica e os sistemas de abastecimento de água”, alertou Bruce Zaro, diretor-gerente da Granite Wealth Management. A obtenção de licenças para novos empreendimentos tende a se tornar um caminho mais árduo.
O preço da IA e perguntas em aberto
A instabilidade política atinge um setor de IA que já lidava com dúvidas sobre retorno de investimento. “O mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA”, observou Ted Parkhill, fundador da Incline Investment Management. “Não há dúvida de que a IA será transformadora para o mundo no longo prazo. Mas isso não significa que todas as ações relacionadas à IA estejam atualmente avaliadas de forma adequada. Haverá muita turbulência.” A questão é se os mercados já precificaram totalmente o impacto regulatório e os custos da expansão da infraestrutura de IA, ou se a volatilidade continuará a dominar o setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





