A SpaceX está movendo suas peças para transformar a Starlink em uma operadora de telefonia móvel global. Com a tecnologia “Direct to Cell”, que conecta satélites diretamente a smartphones convencionais, a empresa de Elon Musk não quer apenas oferecer um serviço complementar, mas disputar o mercado de base de clientes das gigantes de telecomunicações. A presidente da companhia, Gwynne Shotwell, deixou a ambição explícita ao declarar que pretende “capturar bastantes de seus clientes”, referindo-se às maiores operadoras americanas.

Segundo reportagem do site espanhol Xataka, essa postura de confronto direto é, por enquanto, uma realidade restrita ao mercado americano. Lá, a SpaceX investiu cerca de US$ 17 bilhões na compra de espectro de radiofrequência, um movimento que lhe garante autonomia para operar de forma independente. Na Europa, contudo, o cenário é radicalmente diferente.

O muro regulatório europeu

A estratégia de ataque frontal da SpaceX encontra uma barreira regulatória na Europa. As licenças de espectro necessárias para operar no continente não estão simplesmente à venda. A licença atual, controlada pela EchoStar, expira em 2027 e não pode ser transferida, forçando a SpaceX a uma abordagem de cooperação. O projeto piloto com a MasOrange na Espanha é um exemplo claro dessa dinâmica: a Starlink entra no mercado não como uma rival, mas como uma parceira tecnológica das operadoras que um dia pretende desafiar. É uma estratégia ditada pela necessidade, não pela preferência.

O xadrez de 2027

A verdadeira disputa ocorrerá quando as licenças de 2 GHz forem renovadas. A SpaceX certamente entrará na concorrência, mas enfrentará o ceticismo de reguladores europeus, que já sinalizaram a intenção de fortalecer players locais e garantir a soberania digital do bloco. Para as operadoras tradicionais, como Telefónica e Orange, a Starlink representa uma dualidade complexa: uma parceira útil para expandir a cobertura hoje e uma potencial concorrente disruptiva amanhã.

O plano de eliminar as “zonas mortas” de cobertura no planeta é tecnologicamente factível para a SpaceX. A questão é se a empresa conseguirá navegar pelos corredores políticos de Bruxelas com a mesma destreza com que lança seus foguetes. Nos Estados Unidos, a guerra está declarada. Na Europa, a diplomacia forçada dita as regras do jogo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka