O governo das Ilhas Baleares, na Espanha, defende que sua estratégia para o turismo "começa a dar resultados", mesmo diante de uma onda de manifestações populares contra a saturação de destinos como Palma. Em resposta a questionamentos no parlamento local, o conselheiro de Turismo, Jaume Bauzá, mostrou "total respeito" pelos protestos, mas sustentou a eficácia das políticas atuais. A informação foi reportada pela Forbes España.

A tese do governo se apoia em uma métrica central: o gasto dos turistas cresce em ritmo superior ao número de visitantes, um sinal, na visão oficial, de uma transição para um turismo de maior qualidade e menor volume. Para os críticos e manifestantes, no entanto, os números macroeconômicos mascaram uma realidade de precarização, crise imobiliária e esgotamento de recursos.

A métrica contra a rua

O argumento de Bauzá busca deslocar o debate da quantidade para a qualidade. Ao enfatizar que a receita turística aumenta mais que o fluxo de pessoas, o governo tenta construir uma narrativa de sucesso e sustentabilidade. Segundo essa lógica, o problema não seria o turismo em si, mas o modelo de baixo custo e alto volume que as novas políticas estariam, supostamente, corrigindo. A gestão atual também aponta para medidas como o congelamento de novas vagas turísticas e o aumento de sanções contra aluguéis ilegais.

A oposição, contudo, rebate o otimismo oficial. Deputados do Unidas Podemos e do PSIB argumentam que a percepção da população local é o verdadeiro termômetro. Para eles, o turismo continua a "expulsar a população, precarizar os trabalhos e esgotar os recursos". A estratégia de "dessazonalização", que visava distribuir o fluxo de turistas ao longo do ano, teria falhado, resultando em mais crescimento no verão e também no restante do ano, intensificando a pressão sobre a infraestrutura e os serviços locais.

O embate em Palma ecoa um dilema que se espalha por destinos turísticos globais, de Lisboa a Amsterdã. A busca por um equilíbrio entre o motor econômico do turismo e a sustentabilidade social e ambiental permanece uma equação sem solução clara. Enquanto os dados oficiais contam uma história, as ruas parecem narrar outra, e a tensão entre as duas versões define o futuro do setor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España