As ações da Embraer (EMBJ3) registraram um desempenho notável nesta terça-feira, avançando 4,95% e alcançando R$ 104,53, em um movimento que se contrapôs à queda do Ibovespa. O impulso veio de dois fatores principais: a assinatura de um acordo para a venda de três aeronaves multimissão KC-390 Millennium para a Força Aérea da Grécia, com a opção de compra de mais três unidades, e a contínua valorização do dólar frente ao real.
Acordo com a Grécia reforça divisão de Defesa
O contrato com a Grécia foi recebido com otimismo pelo mercado. O JPMorgan destacou em relatório que o crescimento da carteira de pedidos na divisão de Defesa & Segurança é um fator crucial para sustentar a expansão da receita e das margens da Embraer. A confirmação de novas encomendas do KC-390, um avião de transporte militar com capacidades multimissão, é vista como um redutor de riscos para a projeção de crescimento anual composto (CAGR) de cerca de 15% para a receita desta divisão entre 2026 e 2030. Essa taxa é superior à estimativa de 11% para a companhia como um todo, indicando o potencial de crescimento específico do segmento de defesa.
Os analistas do JPMorgan, Marcelo Motta e Jonathan S. Koutras, projetam um aumento significativo nas entregas anuais do KC-390, passando de cinco aeronaves em 2026 para doze em 2030. Esse otimismo já se refletia no mercado internacional, com os ADRs (recibos de ações negociadas nos EUA) da Embraer apresentando alta de aproximadamente 3% no mesmo dia, enquanto o índice Russell 2000 se mantinha estável. O Bradesco BBI, por meio de seus analistas Andre Ferreira e Matheus Sant'Anna, também classificou o anúncio como positivo, estimando um impacto de cerca de US$ 120 milhões no valor presente líquido (VPL) do negócio, o que inclui serviços associados. A encomenda grega deve aumentar em 6% a carteira de pedidos da divisão de Defesa & Segurança e em aproximadamente 1% o backlog consolidado da empresa.
Dólar em alta e tese exportadora
Paralelamente ao acordo de defesa, a alta do dólar contribuiu para o desempenho das ações da Embraer. Como uma empresa com forte vocação exportadora, a desvalorização do real frente à moeda americana tende a beneficiar a companhia, aumentando o valor em reais de suas receitas obtidas em moeda estrangeira — a maior parte dos pagamentos da Embraer é recebida em dólar, o que torna a empresa naturalmente protegida contra a depreciação cambial.
O Bradesco BBI reiterou sua recomendação de compra para as ações da Embraer, mantendo-a como sua principal escolha (Top Pick) no setor. A tese de investimento do banco se sustenta em quatro pilares: um backlog robusto que garante maior previsibilidade de receitas e resultados; o aumento gradual nas entregas de aeronaves; a expansão das margens operacionais; e os potenciais gatilhos positivos vindos de novas encomendas, especialmente na divisão de Defesa. A natureza exportadora e defensiva da companhia tem contribuído para que suas ações se destaquem mesmo em sessões de queda generalizada do Ibovespa.
Implicações e perspectivas futuras
O acordo com a Grécia, viabilizado por uma negociação intergovernamental com Portugal, não apenas reforça a flexibilidade comercial da Embraer, mas também se alinha à tendência de aumento dos gastos militares observada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Com a encomenda grega, os pedidos do KC-390 para 2026 somam agora 15 aeronaves, considerando também as encomendas dos Emirados Árabes Unidos e da Colômbia, com novas negociações ainda em andamento. A força do dólar, combinada com a consolidação de novos contratos na área de defesa, sugere um cenário promissor para a Embraer nos próximos trimestres, reforçando a confiança dos investidores na capacidade da empresa de gerar valor.
Embora o cenário recente seja positivo, permanecem questões sobre a velocidade de consolidação de novas encomendas, especialmente na divisão comercial de aviação. A capacidade da Embraer de manter a expansão de margens em um ambiente de custos voláteis e a evolução da concorrência no mercado de defesa também serão fatores a serem observados de perto. A sustentabilidade do crescimento projetado para a divisão de Defesa e a sua contribuição para os resultados gerais da companhia nos próximos anos serão cruciais para a tese de investimento.
A combinação de um acordo estratégico de defesa com um parceiro na Europa e a força do dólar criam um ambiente favorável para a Embraer, mas a empresa precisará continuar demonstrando sua capacidade de execução para capitalizar plenamente essas oportunidades e sustentar o crescimento em suas diversas linhas de negócio.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





