Líderes empresariais de 22 países ibero-americanos, reunidos no âmbito do Conselho de Empresários Iberoamericanos (CEIB) e da Organização Internacional de Empregadores (OIE), formalizaram a ‘Declaração de Madrid’. O documento, assinado na sede da CEOE, em Madri, é um apelo por “instituições sólidas, segurança jurídica e diálogo social” como pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e a atração de investimentos na região. A declaração será encaminhada aos chefes de Estado e de Governo que participarão da XXX Cumbre Iberoamericana.

As cúpulas empresariais alertaram que o desenvolvimento sustentável e a força de uma sociedade estão intrinsecamente ligados à robustez de suas empresas, à confiabilidade de suas instituições, à geração de emprego formal e à existência de um diálogo social efetivo. Andrés Allamand, secretário-geral ibero-americano, recebeu o documento e ressaltou a importância de integrar as demandas do setor privado, garantindo que a voz dos empresários seja ouvida pelos mandatários. O documento também enfatiza a necessidade de pactos nacionais para combater a informalidade laboral, propondo a redução de barreiras e custos, além de facilitar o acesso a financiamento.

Um Apelo por Estruturas Sólidas

A ‘Declaração de Madrid’ surge como uma resposta às incertezas econômicas e políticas que têm marcado a região ibero-americana. A demanda por “instituições sólidas” reflete a preocupação com a instabilidade governamental, a corrupção e a falta de previsibilidade, fatores que inibem o investimento de longo prazo. A segurança jurídica, por sua vez, é vista como um pré-requisito para qualquer atividade econômica, garantindo que contratos sejam respeitados e que as regras do jogo sejam claras e estáveis. O diálogo social é apresentado não apenas como um mecanismo de negociação, mas como a “melhor infraestrutura que pode ter um país”, segundo Antonio Garamendi, presidente da CEOE e do CEIB, sublinhando que a construção de sociedades fortes passa, necessariamente, pelo fortalecimento das empresas.

Mecanismos para a Competitividade e o Crescimento

Para tornar a competitividade regional uma agenda mensurável, os empresários propuseram a criação de um painel de indicadores comparáveis, desenvolvido em colaboração com organizações como a OIT, CEPAL e OCDE. A simplificação e digitalização de processos burocráticos foram igualmente destacadas como essenciais para agilizar a abertura e operação de negócios. Além disso, o documento reitera a importância do fortalecimento da formação técnico-profissional, um componente crucial para a qualificação da mão de obra e o atendimento às demandas de um mercado de trabalho em constante evolução. A transição para uma economia mais sustentável foi abordada sob a ótica de compatibilizá-la com a manutenção do emprego e o estímulo à investimento produtivo, evitando que medidas ambientais se tornem um entrave ao crescimento.

Implicações para a Região e o Brasil

As demandas apresentadas na Declaração de Madrid têm implicações diretas para todos os países da América Latina e para a Espanha e Portugal. A busca por maior segurança jurídica e instituições mais fortes pode incentivar o fluxo de investimentos estrangeiros e domésticos, além de melhorar o ambiente de negócios. Para o Brasil, um país que frequentemente lida com a complexidade regulatória e a instabilidade política, o apelo por regras claras e previsíveis ecoa as próprias necessidades do empresariado nacional. A ênfase no diálogo social também pode reforçar a importância de mecanismos de negociação entre governo, empresas e trabalhadores para a construção de políticas públicas mais eficazes e consensuais.

Perguntas em Aberto e o Caminho a Seguir

Embora a Declaração de Madrid estabeleça um roteiro claro de demandas, a implementação efetiva dessas propostas dependerá da vontade política dos governos e da capacidade de articulação entre os diferentes setores. Resta saber com que celeridade e profundidade as exigências empresariais serão incorporadas às agendas nacionais e regionais. A participação ativa de organizações como a OIE, CEIB, OIT, CEPAL e OCDE na criação de indicadores é um passo promissor, mas a tradução desses indicadores em políticas públicas concretas será o verdadeiro teste. A independência do setor empresarial frente aos governos, como defendido pela OIE, também será um fator determinante para a sustentabilidade dessas iniciativas.

O documento representa um marco na articulação do setor privado ibero-americano, sinalizando um desejo unificado por um ambiente de negócios mais estável e propício ao crescimento. A forma como os governos responderão a este chamado definirá, em grande medida, o futuro econômico da região.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España