Philip Su, que atingiu o prestigiado nível de "distinguished engineer" (IC9) na Meta e OpenAI, compartilhou em entrevista recente que as promoções em grandes empresas de tecnologia perderam o encanto à medida que sua carreira avançava. A euforia inicial de subir de cargo deu lugar a um sentimento de exaustão e pressão crescente, impulsionado por expectativas cada vez mais elevadas que ele não tinha mais certeza de poder cumprir.
O Peso das Expectativas
"A emoção da promoção em si já não era a mesma de quando eu era mais jovem", disse Su ao podcast "The Peterman Pod". Ele explicou que, em níveis mais altos, a ideia de ser promovido não era mais "tudo flores", pois cada avanço vinha acompanhado de uma responsabilidade e um escrutínio maiores. "Expectativas que eu não tinha mais certeza de que conseguiria entregar bem", confessou. Essa carga mental o levou a buscar um rebaixamento voluntário na Meta, passando do nível IC9 para IC7. Operar em um patamar superior, segundo ele, o deixava exausto e sob uma vigilância constante, como se o "Olho de Sauron" estivesse sempre a observar seu desempenho.
O Preço do Sucesso Corporativo
Su descreveu a sensação de estar em um nível mais alto como uma "intensidade constante". Ele reconheceu que as empresas têm o direito de questionar se seus funcionários mais bem pagos estão entregando valor suficiente. Na Meta, um engenheiro IC9 está a um degrau de se tornar um Meta Fellow, e a remuneração pode chegar a aproximadamente US$ 4,3 milhões anuais. Em contraste, um engenheiro IC7 pode ganhar cerca de US$ 1,63 milhão por ano. A decisão de descer na carreira não foi fácil; Su admitiu que foi difícil ver colegas que antes estavam abaixo dele o ultrapassarem. No entanto, ele passou a reconhecer que um cargo de nível inferior poderia oferecer um trabalho mais prazeroso, sem a necessidade de um desempenho contínuo no limite de suas capacidades.
Uma Tendência em Ascensão?
A experiência de Su não é isolada. Uma pesquisa da Randstad de 2024 indicou que 42% dos trabalhadores americanos recusariam uma promoção se lhes fosse oferecida. Um caso semelhante foi o de uma engenheira da Apple que, após ser promovida a gerente, sofreu burnout e precisou de uma pausa na carreira. Esses relatos sugerem um movimento mais amplo de afastamento da tradicional "escada corporativa", com profissionais buscando maior equilíbrio e satisfação em detrimento de avanços vertiginosos que podem levar ao esgotamento.
Repensando o Sucesso Profissional
Para aqueles que perseguem um grande objetivo de carreira, Su sugere uma pergunta simples: "O que você fará depois de alcançá-lo?". Se não houver uma resposta clara, talvez seja um sinal para reavaliar o caminho. A lição de Su é que toda carreira tem um limite superior, e atingi-lo não precisa ser o objetivo final. "Talvez este seja, no final das contas, o meu último nível", ponderou. A busca por um trabalho mais sustentável e gratificante, mesmo que signifique um status hierárquico menor, parece ganhar força no cenário corporativo contemporâneo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





