Iniciativas ambientais, sociais e de governança (ESG) correm o risco de perder espaço e orçamento quando não estão conectadas à estratégia da empresa. Em momentos de pressão sobre custos e resultados, essa ligação pode determinar quais projetos permanecem e quais perdem prioridade. Para Marcos Pinheiro, consultor e LinkedIn Top Voice em sustentabilidade, a diferença está em tratar o ESG como parte da gestão de riscos, e não como uma agenda paralela.
"O ESG tem que estar na estratégia. O ESG é uma agenda de gerenciamento de risco. Se não é risco, se não está na estratégia, não é risco", explicou Pinheiro em participação no podcast É Mais que Tech, da Senior Sistemas. A conexão com o negócio significa identificar como questões ambientais, sociais ou de governança podem afetar a operação e os resultados. Um exemplo citado é o risco reputacional para uma empresa que compra de fornecedores com casos de trabalho análogo à escravidão, mesmo que a irregularidade não ocorra em suas instalações.
Jussara Dutra, diretora-executiva de Pessoas e Organização da Senior Sistemas, avalia que o problema surge quando iniciativas brotam de interesses isolados, sem relação clara com os desafios da companhia. "Muitas vezes as iniciativas são belíssimas, mas elas são muito mais de um desejo individual de algumas pessoas da organização [...] que não têm uma conexão direta com problemas ou com riscos da organização", pontua.
Em períodos de dificuldade, uma iniciativa sem vínculo com a estratégia fica menos protegida. "Bateu a crise da Ásia, o que vão cortar? A gente sabe o que vão cortar: o que não está na estratégia. Então fica sendo menos perene", observa Pinheiro. A integração com o negócio pode, inclusive, transformar uma ação social em um instrumento para suprir necessidades concretas da empresa. Na Senior, programas de formação tecnológica para jovens da comunidade, por exemplo, ajudam a formar profissionais para o mercado de tecnologia, atendendo a uma demanda da própria empresa.
Para garantir a perenidade dessas agendas, os especialistas defendem que a governança incorpore o ESG. Na Senior, a estrutura inclui código de ética, análise de integridade de fornecedores e acompanhamento de riscos por comitês executivo e de conselho. "É essencial [...] que a governança seja estabelecida e que a conexão com a estratégia de gestão de risco da empresa fique muito clara, com indicadores efetivos", defende Jussara. Os resultados, segundo ela, ajudam a distinguir iniciativas genuinamente conectadas ao negócio daquelas que se limitam à comunicação.
As empresas, portanto, precisam identificar quais fatores ESG afetam seus riscos e oportunidades, e integrá-los às decisões de negócio. "O que importa é que as empresas estejam integrando questões ambientais e sociais estratégicas à sua gestão estratégica", resume Marcos Pinheiro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





