O governo espanhol reafirmou nesta quarta-feira o papel central do Plano Profarma na estratégia de desenvolvimento industrial e científico do país. Em evento realizado pelo Ministério da Indústria e Turismo, autoridades governamentais destacaram que a iniciativa, com mais de 30 anos de trajetória, atua como um pilar fundamental para incentivar a excelência das empresas farmacêuticas instaladas no território nacional.

Segundo o secretário de Estado de Sanidad, Javier Padilla, o plano é um instrumento essencial para alinhar a inovação biomédica à demanda real, garantindo que o sistema de saúde não dependa exclusivamente da oferta. A estratégia busca integrar os esforços dos ministérios de Indústria, Ciência e Saúde, criando um ecossistema que vai desde o estímulo à pesquisa básica até a fabricação final, promovendo maior autonomia e acessibilidade a tratamentos para os pacientes.

A mecânica do incentivo industrial

O Plano Profarma funciona como um mecanismo de classificação e reconhecimento para as empresas que investem em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (I+D+i) e mantêm capacidade produtiva na Espanha. Ao qualificar as companhias, o governo oferece benefícios que incluem reduções nas contribuições ao Sistema Nacional de Saúde, um incentivo direto que visa compensar os custos elevados da operação local.

Para o ministro da Indústria e Turismo, Jordi Hereu, a eficácia da política é comprovada pelos números recentes. O setor farmacêutico espanhol investiu 1,775 bilhão de euros em I+D nos últimos anos, um crescimento de 40% em um lustro. Com 180 plantas de produção e a geração de cerca de 56 mil empregos diretos, a indústria é vista pelo governo como o modelo ideal de competitividade industrial que a Espanha pretende exportar para o restante da União Europeia.

Desafios na cadeia global de suprimentos

Embora o governo celebre os resultados, a indústria aponta desafios estruturais que vão além dos incentivos fiscais. Representantes de empresas como Grifols, Faes Farma e MSD Espanha enfatizaram que a competitividade espanhola enfrenta pressões globais, com um deslocamento crescente de ensaios clínicos para regiões como a Ásia, onde os incentivos regulatórios e financeiros são mais agressivos.

O debate durante o evento evidenciou que, para manter a relevância, o país precisa evoluir de um simples local para testes clínicos para um verdadeiro polo científico-clínico de valor agregado. A necessidade de maior segurança jurídica e agilidade regulatória foi citada como condição indispensável para que as farmacêuticas continuem a priorizar a Espanha em seus planos de investimento de longo prazo, evitando que o país perca sua posição estratégica no continente.

O futuro como hub científico

A ambição expressa pelas autoridades espanholas é que o país deixe de ser apenas um executor de ensaios clínicos pontuais para se tornar o local onde o medicamento é descoberto e desenvolvido integralmente. A colaboração estável com institutos de pesquisa biomédica é vista como o próximo passo necessário para elevar a complexidade do setor.

O sucesso dessa transição dependerá da capacidade do governo em manter a transversalidade entre as pastas de Ciência e Indústria, garantindo que o Plano Profarma continue sendo um "quadro de mando" eficiente. A eficácia da política será medida não apenas pelo volume de investimento, mas pela capacidade de integrar a produção farmacêutica à sustentabilidade do sistema de saúde pública.

O cenário para os próximos quatro anos permanece em aberto, com o governo espanhol buscando ajustar o plano para responder à rápida revolução tecnológica do setor. A continuidade da competitividade exigirá um equilíbrio entre a necessidade de eficiência de custos e a atração de capital intensivo em conhecimento, um desafio que define a agenda de inovação do país para a próxima década.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España