O ministro espanhol para a Transformação Digital e de Função Pública, Óscar López, iniciou uma viagem de três dias ao México para reforçar a cooperação bilateral em digitalização, inteligência artificial, cibersegurança e conectividade. A agenda inclui encontros com representantes do governo mexicano, da academia e de empresas de tecnologia de ambos os países.
Segundo reportagem da Forbes España, a visita vai além da diplomacia protocolar. O movimento sinaliza uma estratégia calculada da Espanha para se posicionar como a ponte tecnológica entre a Europa e a América Latina, tendo o México como um pilar fundamental. Em um cenário global dominado pela rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, a Espanha aposta nos laços culturais e linguísticos para construir um eixo de cooperação digital ibero-americano.
O eixo Madri-Cidade do México
A ambição espanhola não se baseia apenas em discursos. A cooperação já tem um projeto de alta complexidade como alicerce: o desenvolvimento da infraestrutura de supercomputação e IA Coatlicue, no México. A iniciativa é uma colaboração direta com o Barcelona Supercomputing Center (BSC), um dos principais centros de pesquisa da Europa. Este é um sinal claro de que a parceria visa a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de infraestrutura crítica, não apenas acordos comerciais.
A colaboração se estende ao fomento de tecnologias ‘deeptech’ e semicondutores, áreas de intensa disputa geopolítica. Ao escolher o México — uma economia robusta e vizinha ao maior mercado de tecnologia do mundo —, a Espanha faz uma aposta estratégica para ganhar relevância e criar um ecossistema com escala. A viagem também serve como preparação para o Foro Digital Iberoamericano e a Cúpula Iberoamericana, que acontecerão em Madrid, sugerindo que a parceria bilateral pode ser um modelo para uma aliança regional mais ampla.
O esforço busca criar uma via alternativa de desenvolvimento tecnológico, que valorize a soberania digital e a colaboração entre nações com afinidades históricas. Resta saber se este eixo ibero-americano conseguirá de fato se firmar como um polo relevante, capaz de competir ou ao menos coexistir de forma autônoma com os gigantes que hoje definem as regras do jogo digital.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





