Em um congresso realizado em Madri, sob o lema ‘A direção do público’, a Federação Espanhola de Associações de Corpos Superiores da Administração Civil do Estado (Fedeca) apresentou uma proposta que ecoa em corredores governamentais e debates sobre a gestão pública: a criação de um estatuto para o funcionário sênior. A ideia central é reconhecer e capitalizar a vasta experiência acumulada por esses profissionais, que dedicam décadas de suas vidas ao serviço do Estado. A proposta surge em um momento em que a administração pública enfrenta desafios para reter talentos e garantir a continuidade do conhecimento técnico e estratégico.

Fedeca, que congrega 46 associações, argumenta que uma trajetória administrativa pode se estender por até quatro décadas. Nesse longo percurso, acumulam-se não apenas anos de serviço, mas um acervo de conhecimento institucional e expertise que, muitas vezes, se perde com a aposentadoria ou a saída desses profissionais. O estatuto proposto visa justamente mitigar essa perda, estabelecendo políticas de pessoal que acompanhem as necessidades específicas das últimas etapas da carreira. O objetivo é claro: manter esse capital intelectual dentro das instituições, reforçar a formação de novos servidores e facilitar a transmissão intergeracional de saberes, adaptando, quando necessário, tarefas que exijam maior exigência física.

A proposta não se limita a um reconhecimento simbólico. Ela busca criar mecanismos concretos para que a experiência se traduza em benefícios tangíveis para a administração e a cidadania. Isso inclui a preservação do conhecimento, a capacitação de colegas mais jovens e a adaptação das funções para que a expertise possa ser aplicada de forma eficaz até o fim da vida profissional. Em um cenário onde a eficiência e a objetividade são cada vez mais demandadas, a valorização de profissionais com longo histórico na gestão pública se apresenta como um caminho estratégico para aprimorar as políticas públicas e a sua execução.

Além da questão do funcionário sênior, o congresso da Fedeca abordou outros temas cruciais para a administração pública espanhola. Houve um debate sobre o equilíbrio entre a esfera política e a funcional, ressaltando a importância da objetividade e da legalidade na atuação dos servidores. A colaboração público-privada e o sistema de concursos públicos também estiveram em pauta, com a reivindicação de que reformas na função pública envolvam os profissionais e garantam princípios como mérito, capacidade e igualdade. A criação do ‘Fedeca Joven’, iniciativa voltada para jovens funcionários, sinaliza um esforço para integrar e dar voz às novas gerações, conectando-as com a experiência dos mais antigos.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre remunerações. Fedeca propôs a inclusão de um complemento salarial atrelado ao custo de vida da cidade de destino, a fim de que a mobilidade profissional não seja penalizada por questões econômicas, como os altos aluguéis em grandes centros como Madri ou Barcelona. A organização também pleiteia a atualização de indenizações e diárias, além de uma correção salarial que considere a inflação real, visando preservar o poder de compra dos servidores. Essas demandas salariais, somadas à proposta do estatuto sênior, pintam um quadro de um setor que busca não apenas reconhecimento, mas também condições dignas para continuar exercendo suas funções com excelência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España