Sofía Leal, de 17 anos, e Chiara Catalini, de 16, são as mentes por trás do MultiRisk, um aplicativo que promete revolucionar a forma como comunidades se preparam para desastres ambientais. Nascido em Córdoba, Argentina, o projeto das estudantes foi selecionado entre mais de 3.600 iniciativas de 130 países para competir na final mundial do Technovation Girls 2026, na Índia. A aplicação visa alertar sobre riscos iminentes de incêndios florestais e inundações, utilizando dados meteorológicos hiperlocais para fornecer recomendações personalizadas aos usuários.
O Germe de uma Ideia Inovadora
O projeto MultiRisk não surgiu do nada. Ele é fruto da colaboração iniciada por Leal e Catalini em cursos online gratuitos da iniciativa Chicas Digitales. Essa experiência compartilhada em tecnologia e meio ambiente foi o ponto de partida para o desenvolvimento de soluções inovadoras. Antes do MultiRisk, elas criaram o FlameFighters, um mapa interativo focado em incêndios. A experiência com o FlameFighters serviu como um aprendizado valioso em trabalho em equipe e no desenvolvimento de projetos voltados para problemáticas ambientais. Com o tempo, as estudantes aprimoraram seus conhecimentos e refinaram suas ideias, culminando no atual MultiRisk, cujo nome reflete a abordagem multifacetada para lidar com diversos riscos ambientais.
MultiRisk: Tecnologia a Serviço da Prevenção
A inspiração para o MultiRisk veio de perto. Córdoba, província onde as estudantes vivem, enfrenta tanto períodos de seca intensa, que elevam o risco de incêndios, quanto chuvas torrenciais que podem causar inundações. Essa realidade local as levou a questionar o potencial da tecnologia para ajudar as pessoas a se anteciparem e se prepararem melhor para tais emergências. O aplicativo funciona cruzando dados de estações meteorológicas hiperlocais para estimar o nível de risco em uma determinada área e, com base nisso, oferece recomendações práticas para que os usuários possam agir antes que uma situação se agrave. Além da versão para o público geral, o projeto inclui um painel de controle para municípios e instituições, permitindo o monitoramento da qualidade dos dados das estações meteorológicas e o fortalecimento da gestão de riscos.
Democratizando o Acesso à Informação e Segurança
O objetivo principal das criadoras do MultiRisk é democratizar o acesso à informação ambiental e de segurança. Elas enfatizam que a aplicação não pretende substituir os órgãos de emergência ou tomar decisões pelas autoridades, mas sim funcionar como uma ferramenta complementar. A ideia é que tanto cidadãos, especialmente aqueles em áreas de risco, quanto turistas possam se informar sobre as condições e os perigos potenciais de uma região. Para instituições e municípios, o painel de controle web oferece uma forma de consultar e verificar dados de estações meteorológicas, contribuindo para a precisão das previsões e a eficácia da gestão de riscos. O modelo de negócios futuro visa manter o aplicativo gratuito para a comunidade, com fontes de receita provenientes de empresas e governos, que podem utilizar ferramentas adicionais de monitoramento.
Expansão e Futuro do Projeto
As jovens empreendedoras já planejam expandir o MultiRisk. Elas buscam ampliar a rede de estações meteorológicas, visando aprimorar as previsões e a qualidade da informação oferecida. O aplicativo foi desenvolvido para ser leve e funcionar em dispositivos com recursos limitados, além de possuir uma função offline para acesso a dados recentes mesmo sem conexão à internet. No futuro, planejam incorporar melhorias nas previsões, a capacidade de antecipar outros tipos de desastres influenciados por variáveis meteorológicas e ferramentas para uma melhor compreensão da evolução dos riscos. Embora o foco atual seja em incêndios e inundações, elas consideram a possibilidade de investigar outros fenômenos, como deslizamentos, com o auxílio da inteligência artificial, desde que haja dados confiáveis e de qualidade. O objetivo final é construir uma rede de informação ambiental abrangente, confiável e acessível, fortalecendo a capacidade das comunidades de se prepararem para eventos adversos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · La Nación — Tecnología





