A renomada negociante de arte Eva Presenhuber anunciou o fechamento de sua galeria em Viena, com a unidade austríaca encerrando suas atividades no início de dezembro. A decisão, segundo a própria galerista, teve mais a ver com as condições locais em Viena do que com a saúde financeira geral de seus negócios em Zurique, que seguem estáveis. A galeria em Viena, aberta em abril de 2022 por um impulso "sentimental" e afeição pela Áustria natal de Presenhuber, estava exibindo trabalhos de Angela Bulloch até 23 de outubro, e terá uma exposição final de Nina Hollein de 11 de novembro a 4 de dezembro.

Embora Viena não tenha se mostrado um centro financeiro para a galeria, Presenhuber destacou o sucesso em celebrar artistas de seu programa com 18 exposições individuais e 17 coletivas em instituições na região nos últimos cinco anos. Contudo, com o vencimento do contrato de locação deste ano, e apesar de suas galerias em Zurique estarem "indo bem", a galerista ponderou que o custo adicional da unidade vienense justificava o fechamento. A decisão também é indiretamente influenciada por um mercado de arte mais lento, com as vendas gerais da galeria tendo caído cerca de 40% nos últimos três anos.

Mercado em Ajuste

Presenhuber descreveu o mercado de arte atual como um período de ajuste para muitas galerias. Ela observa uma "hesitação maior" por parte dos colecionadores, que parecem mais cautelosos diante de um cenário global de incertezas. "Há muito pânico no mundo agora, o que também chega aos nossos clientes, que estão cada vez mais quietos e menos entusiasmados", comentou a galerista. Esse cenário de maior competição, tanto de outras galerias quanto de casas de leilão, soma-se a uma geração de colecionadores mais velhos que, segundo Presenhuber, estão adquirindo menos e questionando o destino de suas extensas coleções de arte.

Desafios da Nova Geração

A transição para uma nova geração de colecionadores e o impacto da arte digital e das novas plataformas de exibição e venda ainda são pontos de interrogação no mercado. Galerias tradicionais, acostumadas a um modelo de negócios mais estável e previsível, enfrentam o desafio de se adaptar a um público com diferentes hábitos de consumo e apreciação artística. O fechamento da galeria de Presenhuber em Viena pode ser visto como um sintoma desses desafios, onde a paixão e o investimento sentimental em um novo mercado precisam ser equilibrados com a sustentabilidade financeira em um ambiente cada vez mais competitivo e incerto.

Implicações para Galerias

O caso de Eva Presenhuber levanta questões importantes para o ecossistema de galerias de arte de médio e grande porte. A dificuldade em manter operações em múltiplas cidades, especialmente em mercados secundários ou em fase de desenvolvimento, torna-se um fator crítico. A análise do mercado de arte, que tradicionalmente se apoia em ciclos de demanda e oferta, agora precisa considerar a influência de fatores macroeconômicos e comportamentais dos colecionadores. A hesitação mencionada por Presenhuber sugere uma reavaliação dos investimentos por parte dos compradores, impactando diretamente a receita e a capacidade de expansão das galerias.

Perguntas em Aberto

Resta saber como o mercado de arte europeu, em particular, reagirá a esses movimentos. A saída de uma galerista de renome como Presenhuber de uma capital cultural como Viena pode sinalizar uma consolidação ou uma reconfiguração das estratégias de mercado para outras galerias. A capacidade de atrair e reter novos colecionadores, especialmente aqueles que cresceram em um ambiente digital, será fundamental para a sobrevivência e o crescimento a longo prazo. A forma como as galerias conseguirão equilibrar a oferta de arte de alta qualidade com as expectativas de um público em constante mudança definirá o futuro do setor.

O fechamento da unidade vienense de Eva Presenhuber, embora motivado por uma mistura de fatores pessoais e de mercado, destaca a complexidade e as incertezas que permeiam o cenário contemporâneo das galerias de arte, forçando uma reflexão sobre estratégias e sustentabilidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews