Hugo Veiga e Diego Machado, figuras proeminentes que por duas décadas lideraram a criação global na AKQA, uma das agências de publicidade mais renomadas, iniciam um novo capítulo com o lançamento da !F Creative Capital. A proposta central da nova empreitada é audaciosa: ser remunerada não apenas por serviços de consultoria criativa tradicionais, mas também através de participação acionária e acordos de divisão de receita, diretamente atrelados ao desempenho financeiro dos clientes.

Um Novo Modelo para a Criação Publicitária

A indústria publicitária, especialmente as grandes holdings, frequentemente enfrenta críticas por priorizar serviços mais fáceis de mensurar e revender, como compra de mídia, dados e tecnologia. O trabalho criativo customizado, por sua vez, muitas vezes carece de um vínculo direto e transparente com os resultados de negócio. A !F Creative Capital surge como uma resposta a essa dinâmica, buscando criar um modelo onde o valor intrínseco das ideias criativas seja inequivocamente ligado ao sucesso financeiro das empresas. Essa abordagem visa alinhar os interesses da agência e de seus clientes de forma mais profunda, transformando a consultoria criativa em um investimento estratégico mútuo.

Equity como Ferramenta de Parceria

Em vez de depender exclusivamente de honorários fixos, a !F Creative Capital propõe um modelo híbrido. A empresa já demonstrou essa estratégia ao adquirir participação na marca de superalimentos Authentic Fruits, com um contrato que inclui um engajamento criativo de três anos, uma porcentagem das vendas e participação acionária adicional vinculada ao desempenho. Outros investimentos incluem a plataforma de IA CheckMy.Music, que detecta plágio em músicas, e uma parceria com o ex-técnico de futebol Carlo Ancelotti em um novo projeto. Essa diversificação de pagamentos e envolvimento sinaliza uma mudança de paradigma, onde a agência se posiciona como sócia no crescimento de seus clientes, compartilhando riscos e recompensas.

Diversificação e Autossuficiência

Além de atuar como consultora para terceiros, a !F Creative Capital também está desenvolvendo suas próprias marcas, como a SNIFF, uma empresa de produtos para pets, e a Baitts, uma marca de palitos de dente. A companhia também está coproduzindo um longa-metragem com lançamento previsto para o próximo ano e planeja lançar um programa de empreendedorismo criativo. Veiga e Machado afirmam que os lucros gerados por trabalhos comissionados, como os realizados para Corona e a premiação esportiva de Cristiano Ronaldo, estão sendo reinvestidos no lado de equity do negócio e nos projetos internos. A meta a longo prazo é tornar a !F Creative Capital independente do trabalho comissionado, consolidando-se como uma holding de marcas, onde a própria empresa se torna seu principal cliente. Essa estratégia de autossuficiência e desenvolvimento de portfólio próprio reflete uma visão de futuro onde a agência transcende o modelo tradicional de prestação de serviços.

O Futuro do Modelo Híbrido

Embora modelos de agências que buscam equity não sejam totalmente inéditos — agências como Uncommon, Bullish e Anomaly já exploraram abordagens similares —, a iniciativa de Veiga e Machado se destaca pela sua abrangência e foco explícito no alinhamento criativo-com-resultado financeiro. A expertise de longa data dos fundadores em construir marcas de renome confere credibilidade à sua aposta. O sucesso dessa nova estrutura dependerá, em grande parte, da capacidade da !F Creative Capital de identificar e cultivar negócios com alto potencial de crescimento, além de executar estratégias criativas que gerem valor tangível e mensurável. A transição para um modelo onde a agência é, em essência, uma investidora e parceira estratégica, pode redefinir o papel das empresas criativas no ecossistema de negócios. Acompanhar a evolução da !F Creative Capital oferecerá insights valiosos sobre a viabilidade e o potencial de adoção de modelos mais integrados entre criatividade e investimento no mercado. Essa abordagem pode inspirar outras agências a repensarem suas estruturas de remuneração e a buscarem formas mais profundas de colaboração com seus clientes, transformando a publicidade de um custo em um investimento de crescimento.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider