A gestão de custos de tecnologia, conhecida como FinOps, precisa transcender o simples monitoramento de despesas para se tornar uma ferramenta estratégica de geração de valor para o negócio. Essa é a principal mensagem da EY, que defende uma evolução do modelo tradicional, especialmente diante do avanço da inteligência artificial (IA) e da computação em nuvem. Telma Luchetta, sócia da EY em Financial Services Latam, ressaltou durante o TI Inside Innovation Fórum que a adoção de tecnologias mais caras nem sempre se traduz em retornos proporcionais, tornando indispensável uma avaliação criteriosa das variáveis de negócio antes de qualquer investimento.

“No que tange à gestão de economia, é pensar no quanto eu vou gastar para de fato gerar o valor através do business, porque, muitas vezes, você pode ter ali uma uma solução, alguma tecnologia que você queira implementar e você gasta até muito mais, só que o retorno daquilo ele é menor”, explicou Luchetta. A executiva aponta que o desafio reside em equilibrar o investimento em novas tecnologias com a capacidade de extrair valor tangível para a empresa, evitando gastos excessivos que não se convertem em ganhos de negócio.

Governança e democratização: pilares da nova gestão

A governança emerge como um pilar decisivo para viabilizar essa transformação do FinOps. A EY sugere que organizações maduras particionam os custos pelas áreas de negócio e mantêm o FinOps como um centro de padrões e diretrizes. Contudo, a responsabilidade pela execução e pela geração de valor deve ser distribuída por toda a instituição, promovendo um senso de propriedade e engajamento.

“Sempre tem que ir avaliando essas variáveis de negócio para poder fazer isso acontecer na prática e a governança é primordial. Quando a gente olha benchmarks de empresas, instituições mais maduras, a gente vê que eles de fato estão estabelecendo e estão indo por esse caminho, tornando a área de FinOps em uma área de standards, de padrões, mas quem de fato vai fazer isso acontecer é toda a instituição”, justificou Luchetta. Essa abordagem descentralizada, mas guiada por um centro de excelência, visa garantir que as decisões de investimento em tecnologia estejam alinhadas aos objetivos estratégicos de cada área de negócio.

Alocação de tokens e o equilíbrio entre inovação e controle

Na gestão e alocação de recursos, como os tokens no contexto de IA, a EY defende uma abordagem pautada pela democratização equilibrada. O objetivo é evitar tanto a postura burocrática de fiscalização, que pode sufocar a inovação, quanto a ausência de limites, que pode levar a custos descontrolados. A principal dificuldade, segundo a consultoria, não está na formulação de métricas ou políticas, mas sim em garantir o engajamento e a conscientização das áreas de negócio na prática diária.

Embora dashboards sejam essenciais para monitorar modelos e custos, o desafio maior reside em capturar e comprovar o retorno financeiro e os ganhos intangíveis de negócio. Mensurar o consumo de infraestrutura é relativamente simples, mas demonstrar o valor agregado pela tecnologia é uma tarefa complexa que exige colaboração entre as equipes de TI e de negócio.

Estratégias multi-modelo e reuso para eficiência

Sob a perspectiva de arquitetura e eficiência, a EY enfatiza a adoção de estratégias multi-modelo e o estímulo ao reuso corporativo. A criação de inventários e repositórios centralizados de soluções de IA é fundamental para identificar e reaproveitar o que já existe na organização. Essa prática não apenas otimiza custos, mas também acelera a inovação ao permitir que as equipes construam sobre soluções já validadas.

“Ter diversos provedores garante poder de barganha comercial e flexibilidade técnica para atender à diferentes casos de uso e níveis de complexidade. E, quando falamos de diferentes modelos, a eficiência vem da reutilização e do reuso e o resultado é gigantesco. Quando a gente pensa numa reutilização global, sair de um inventário que vai me possibilitar fazer buscas do que eu já tenho para eu reaproveitar e poder utilizar”, afirmou Luchetta. A diversificação de provedores e a adoção de modelos flexíveis garantem agilidade e adaptabilidade às necessidades em constante mudança do mercado.

Comitês executivos e governança centralizada

Para deliberação sobre grandes investimentos em tecnologia, a EY sugere a atuação de comitês executivos compostos por representantes de diversas áreas. Paralelamente, uma governança centralizada é responsável por estabelecer os padrões operacionais em negócios, finanças e tecnologia, assegurando a coesão e a eficiência em toda a organização. Essa estrutura combinada visa equilibrar a agilidade necessária para a inovação com o controle e a disciplina financeira.

“Defendo um comitê para demandas mais complexas que de fato têm alto investimento e que englobe pessoas de diversas áreas, mas acho que tem que haver uma governança central para estabelecer padrões, para estabelecer processos, normas, sem burocratizar, sem engessar os negócios”, concluiu a executiva. A proposta da EY aponta para um futuro onde o FinOps é uma disciplina intrinsecamente ligada à estratégia de negócios, impulsionando o crescimento e a inovação de forma sustentável e orientada por valor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside