A Aena, operadora aeroportuária espanhola, consolidou a parceria entre Eysa e Setex como a única finalista na disputa pelo contrato de gestão integral de seus estacionamentos em 32 aeroportos da rede. A licitação, que abrange quase 150 mil vagas — um incremento de 30 mil unidades em relação ao ciclo anterior —, possui uma avaliação estimada de 252 milhões de euros para um período de quatro anos. Segundo reportagem da Forbes España, a exclusão da empresa Saba em ambos os lotes do certame foi o fator decisivo para a atual configuração do processo.

Com a saída da Saba, a Aena iniciou agora a fase de verificação técnica para confirmar se a proposta apresentada pelo consórcio atende integralmente às exigências dos editais. A licitação foi estruturada em dois lotes distintos, sendo o primeiro centrado no aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas e o segundo focado no aeroporto de Barcelona-El Prat. A oferta conjunta para o primeiro lote foi de 76,6 milhões de euros, representando um desconto de 10,25%, enquanto o segundo lote recebeu uma proposta de 86,4 milhões de euros, uma redução de 2,5%.

Dinâmica da licitação

O desenho contratual da Aena permitiu que um mesmo operador competisse pelos dois lotes, sob a condição de que o orçamento global fosse inferior à soma das propostas individuais mais baixas. Este modelo de licitação visa otimizar a eficiência operacional em uma infraestrutura complexa, que demanda a gestão de diversas modalidades de estacionamento, como rotativo, preferencial, express, longa estadia, VIP e valet. A complexidade do serviço reflete a necessidade de integração tecnológica e logística em larga escala.

Além das vagas para passageiros, o contrato impõe ao vencedor a responsabilidade pela gestão de espaços destinados a locadoras de veículos, operadores de transporte com motorista e plataformas de carsharing. Também estão incluídos os estacionamentos reservados para funcionários dos aeroportos e das companhias aéreas que operam nas unidades. A escala da operação é expressiva, com Madrid liderando a oferta com 30.072 vagas, seguida por Barcelona com 24.394 e Palma com 11.690.

Implicações para o mercado

A exclusão de um player relevante como a Saba levanta questionamentos sobre a competitividade do setor de gestão de infraestruturas aeroportuárias na Espanha. A concentração de um contrato dessa magnitude nas mãos de um único consórcio sem concorrentes diretos na fase final pode pressionar a Aena a manter um monitoramento rigoroso durante a execução dos serviços. Para os usuários, a expectativa é que a transição e a gestão unificada garantam a qualidade e a disponibilidade dos serviços, independentemente da falta de disputa na etapa final.

O setor de mobilidade e infraestrutura urbana no Brasil observa movimentos similares, onde a concessão de serviços aeroportuários exige cada vez mais especialização. A consolidação de operadores capazes de gerir ecossistemas complexos, que envolvem desde o fluxo de veículos de aplicativo até o estacionamento de longa duração, torna-se um diferencial competitivo estratégico para empresas do setor.

Perspectivas e incertezas

O que permanece em aberto é a capacidade do consórcio Eysa e Setex de absorver o aumento de 30 mil vagas e manter os níveis de serviço exigidos pela Aena sem a pressão competitiva de outros grandes operadores. A fase de verificação documental será crucial para validar a viabilidade técnica da proposta apresentada, especialmente diante das margens de desconto oferecidas em cada lote.

O mercado aguarda agora a confirmação oficial da adjudicação e os detalhes sobre o cronograma de transição operacional. A forma como a Aena gerenciará a relação com o fornecedor único, sem a concorrência direta para balizar eventuais reajustes ou inovações, será um ponto de atenção para investidores e reguladores nos próximos quatro anos.

O desfecho desta licitação marca um capítulo importante na gestão de ativos aeroportuários, evidenciando os riscos e as oportunidades inerentes a contratos de longo prazo em infraestruturas de grande porte. A eficiência na entrega do serviço, sob a gestão de um único consórcio, será a métrica definitiva do sucesso deste processo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España