A Nameless Tower, no Paquistão, foi palco de uma conquista notável e profundamente pessoal. Edu Marin, ao lado de seu pai Francisco "Novato" Marin, de 70 anos, e seu irmão Alex, realizou a segunda ascensão livre da rota Eternal Flame, um feito que exigiu não apenas habilidade técnica, mas uma resiliência familiar inabalável. A expedição, que documentada no filme "Keep it Burning", é um testemunho da paixão pelo montanhismo e dos laços que unem gerações.
A rota Eternal Flame, originalmente estabelecida por Wolfgang Gullich e Kurt Albert em 1989, já havia sido escalada livremente pelos irmãos Huber duas décadas depois. Marin, após uma tentativa frustrada no ano anterior, retornou com sua "equipe dos sonhos" – seu pai e irmão. Embora sem vasta experiência em escalada em grandes paredes ou em alta altitude, a confiança de Edu em sua capacidade de perseverança foi recompensada. A jornada começou com a aclimatação a 4.200 metros, onde a gestão do clima, da altitude e a fixação de 1.200 metros de corda apresentaram os primeiros desafios logísticos.
O Desafio da Montanha e da Família
A escalada em si foi marcada por eventos dramáticos. Logo no início da expedição, uma avalanche atingiu o acampamento base durante a noite, deixando todos ilesos, mas abalados. A necessidade de desenterrar e reorganizar o equipamento não diminuiu o ânimo do trio, que prosseguiu com a ascensão. No entanto, ao atingirem o "Snow Ledge" a 6.000 metros, uma previsão de uma semana de mau tempo os forçou a uma decisão crucial. Enquanto Alex e Novato desceram para esperar a tempestade passar, Edu optou por permanecer sozinho na face da montanha por oito dias, enfrentando temperaturas abaixo de zero. Essa decisão, descrita por Thomas Huber como possivelmente a parte mais difícil do projeto, visava evitar a repetição de trechos já conquistados, garantindo que, ao retorno do bom tempo, a equipe estivesse mais próxima do cume.
Resiliência e Superação Pessoal
A estratégia de Edu de esperar o tempo ruim em altitude extrema demonstrou um nível de determinação que transcende a mera escalada. É um exercício de controle mental e físico, onde a paciência se torna uma ferramenta tão importante quanto a força. Para um escalador de 70 anos, como Novato, a jornada representou um teste de resistência e um legado de paixão pelo esporte. A decisão de Edu de confiar em sua família, mesmo com a experiência limitada deles em tais condições, ressalta a importância do apoio mútuo e da confiança em empreendimentos de alto risco. A superação da avalanche e a espera prolongada na montanha foram superadas pela união e pelo objetivo comum.
A Conquista do Cume e o Legado Familiar
Após dez dias de espera, o sol retornou, permitindo que a família Marin se reunisse e completasse a escalada. Edu liderou os últimos metros, e o trio alcançou o cume, celebrando a conquista com abraços e risadas. A experiência, capturada para o filme, culmina em depoimentos emocionados de Novato e Edu. "É um prazer compartilhar este esporte, e compartilhá-lo com meus filhos – não há nada melhor!", expressou Novato, com um sorriso. A declaração de Francisco "Novato" Marin ressalta o valor inestimável de compartilhar paixões e desafios com a família, transformando uma escalada técnica em uma profunda experiência de vida.
A escalada da Eternal Flame pela família Marin não é apenas um feito esportivo, mas uma narrativa sobre perseverança, a força dos laços familiares e a busca incessante por desafios, mesmo diante de adversidades extremas. A história serve como inspiração para montanhistas e para qualquer um que enfrente obstáculos em busca de um objetivo compartilhado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ExplorersWeb





