A inflação dos Estados Unidos em setembro apresentou um quadro mais complexo do que o antecipado, provocando uma reavaliação imediata nas projeções do mercado financeiro sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). Embora a manutenção da taxa de juros continue sendo o cenário predominante para a reunião de outubro, a probabilidade de um novo aumento de 0,25 ponto percentual mais que duplicou após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nesta quarta-feira.
Antes da divulgação dos dados, a ferramenta CME FedWatch indicava uma probabilidade de 78,4% para a manutenção dos juros e 21,6% para um novo aperto. Na reação inicial aos números, a aposta em uma alta chegou a liderar as projeções. Contudo, à medida que os investidores processavam os detalhes, o cenário de manutenção voltou a ganhar força, alcançando 52,9% das apostas, enquanto a elevação recuou para 47,1%. Esses percentuais, no entanto, permanecem voláteis e sujeitos a oscilações ao longo do dia.
O CPI de setembro registrou uma alta de 0,6% em relação ao mês anterior, alinhado às expectativas. No entanto, a taxa de inflação acumulada em 12 meses acelerou de 3,4% para 3,7%, superando a projeção de 3,6%. O núcleo da inflação, que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, também mostrou resiliência, com uma alta mensal de 0,3% e uma taxa anual de 2,6%, acima dos 2,5% esperados.
James Knightley, economista-chefe do banco ING, avalia que o resultado da inflação de setembro, apesar de acima do esperado, pode não ser suficiente para motivar o Fed a realizar um novo aumento de juros em outubro. Ele baseia sua análise nos comentários recentes de autoridades do Fed, que têm sinalizado cautela em relação a repetir o aperto monetário de 0,25 ponto percentual feito em setembro. No entanto, o risco de novas medidas de aperto não desapareceu completamente. Knightley projeta uma nova alta em dezembro, seguida por um período prolongado de pausa, com a possibilidade de que os juros precisem ser elevados ainda mais antes que cortes sejam considerados.
A trajetória futura da inflação, segundo Knightley, estará intrinsecamente ligada a fatores como os desdobramentos no Estreito de Ormuz, que podem impactar os preços de combustíveis refinados e, por extensão, outras categorias de preços. A expansão dos centros de dados, impulsionada pela inteligência artificial, também representa uma pressão inflacionária. O economista ressalta que, nesses casos, o efeito de aumentos na taxa de juros pode ser limitado.
Por outro lado, Knightley aponta para fatores que podem aliviar as pressões inflacionárias. A desaceleração no mercado imobiliário sugere uma moderação nos custos de moradia, e um regime de tarifas comerciais menos restritivo também poderia contribuir para esse alívio. O ponto crucial, contudo, reside nos salários, que constituem uma parcela significativa dos custos empresariais. Com um mercado de trabalho apertado, caracterizado por poucas contratações e demissões, a rotatividade de trabalhadores tende a diminuir, o que pode conter os reajustes salariais. O crescimento salarial em torno de 3%, segundo Knightley, sugere um potencial de desaceleração adicional, o que, embora limite o poder de compra das famílias, pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias no médio e longo prazo, proporcionando ao Fed mais margem para avaliar seus próximos movimentos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





