O financiamento sustentável na Espanha atingiu um marco notável, superando os €8,4 bilhões e correspondendo a 42% do total da carteira garantida pelo Estado. Este dado, divulgado no segundo ‘Relatório de Riscos e Oportunidades Climáticos da atividade por Conta do Estado’ pela Cesce, organismo dependente do Ministério da Economia, Comércio e Empresa, sinaliza uma aceleração na transição energética e na descarbonização da economia espanhola.

Desde 2020, observa-se um crescimento expressivo de 248% em projetos de caráter sustentável. Este avanço ocorreu em um contexto de expansão de 40% na carteira geral, impulsionado pela atração de projetos verdes e investimentos estratégicos. A Cesce destaca que, nos últimos cinco anos, a descarbonização resultou em uma redução superior a 30% nas emissões absolutas financiadas (Alcances 1 e 2) e em uma diminuição de 50,8% na intensidade de carbono por unidade econômica da carteira assegurada.

O Papel da Cesce na Transição Ecológica

A Cesce tem sido um agente crucial nesse movimento, ajustando sua política de financiamento para priorizar iniciativas sustentáveis. A exposição ao setor de hidrocarbonetos, por exemplo, foi reduzida em mais de 52% nos últimos cinco anos, representando agora apenas 14% da carteira total ao final de 2025. Essa diminuição drástica é resultado de uma política restritiva rigorosa, que limita novas operações com combustíveis fósseis a circunstâncias muito específicas e valores reduzidos.

Em contrapartida, as energias renováveis e o transporte sustentável, incluindo infraestrutura e material ferroviário, consolidaram-se como os pilares do financiamento climático. As renováveis, em particular, viram seu peso na carteira aumentar de 6,9% em 2020 para 21,13% em 2025, demonstrando um realinhamento estratégico em direção a fontes de energia limpa. A adesão da Cesce como membro pleno da Net Zero Export Credit Agencies Alliance (NZECA) em junho de 2025 reforça esse compromisso, com protocolos obrigatórios que visam a duplicação da exposição a energias de baixas emissões em relação aos ativos fósseis.

Metas e Desafios para o Futuro

O compromisso da Cesce com a NZECA inclui a meta de reduzir em 75% suas emissões financiadas no setor de hidrocarbonetos até 2030, limitando-as a um máximo de 1,38 milhão de toneladas. Em 2025, as emissões já haviam caído para 1,98 milhão de toneladas, uma redução de 64% em relação ao ano base de 2020. A aliança também estabelece que, até 2030, a exposição ao financiamento climático atinja €10 bilhões, com pelo menos metade da carteira destinada a ativos de baixas emissões.

A intensidade de emissões das centrais elétricas deverá, ainda, ficar abaixo de 195 gramas de CO2 equivalente por quilowatt-hora (kWh) em 2030, alinhando-se às metas da Agência Internacional de Energia para cenários de emissões líquidas zero. Pela primeira vez, o relatório da Cesce também estimou as emissões de Alcance 3, que abrangem a cadeia de valor dos projetos, e calculou as emissões evitadas pelos projetos renováveis, que foram de 8,80 milhões de toneladas atribuíveis à agência e 44,94 milhões considerando toda a energia gerada pelos projetos apoiados.

Implicações para a Economia Espanhola

O crescimento robusto do financiamento climático, impulsionado por políticas estatais e pela crescente participação de energias renováveis, sugere um caminho promissor para a economia espanhola em sua jornada de descarbonização. A redução da dependência de combustíveis fósseis e o investimento em infraestrutura verde não apenas atendem a compromissos ambientais globais, mas também abrem novas oportunidades de mercado e impulsionam a inovação tecnológica.

As implicações para os stakeholders são significativas. Para as empresas, representa um incentivo para a adoção de práticas mais sustentáveis e o desenvolvimento de tecnologias limpas. Para os investidores, sinaliza um mercado em expansão com potencial de retorno a longo prazo. Para o Estado, demonstra um compromisso ativo na mitigação das mudanças climáticas e na construção de uma economia mais resiliente e competitiva.

Perguntas em Aberto no Horizonte Verde

Embora os números apresentados pela Cesce sejam encorajadores, algumas questões permanecem em aberto. A velocidade com que a transição energética se consolidará em todos os setores da economia espanhola é um ponto de atenção. A capacidade de atrair e financiar projetos de grande escala, especialmente em áreas como hidrogênio verde e armazenamento de energia, será crucial para atingir as metas de longo prazo.

Além disso, a adaptação contínua das políticas de financiamento às novas realidades tecnológicas e regulatórias será fundamental. O acompanhamento das emissões de Alcance 3 e a quantificação do impacto real das emissões evitadas fornecerão dados valiosos para calibrar as estratégias futuras e garantir que a Espanha permaneça na vanguarda da transição para uma economia de baixo carbono.

O cenário delineado pela Cesce aponta para um futuro onde o financiamento climático não é apenas uma questão ambiental, mas um motor de crescimento econômico e de inovação. A trajetória ascendente dos projetos verdes e a redução da exposição a ativos de alto carbono demonstram um compromisso concreto com a sustentabilidade, posicionando a Espanha de forma estratégica no contexto da transição energética global. O desafio agora reside em manter o ímpeto e acelerar ainda mais esse processo rumo a um futuro mais verde e próspero.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España