A expansão acelerada dos serviços em nuvem e a adoção massiva de workloads de inteligência artificial (IA) trouxeram um novo patamar de complexidade para a gestão de custos de tecnologia nas empresas. O que antes era um desafio de controle de gastos se tornou uma questão estratégica, exigindo uma colaboração mais profunda entre as áreas de tecnologia e finanças. Nesse cenário, a disciplina de FinOps — uma evolução das práticas de cloud financial management — surge como uma resposta crucial.

FinOps busca criar uma cultura colaborativa onde as equipes de engenharia, finanças e negócios trabalham juntas para entender e otimizar os custos de nuvem. O objetivo não é apenas cortar despesas, mas sim maximizar o valor do negócio a partir dos investimentos em tecnologia. Isso envolve a previsibilidade de gastos, a otimização contínua de recursos e a tomada de decisões baseadas em dados financeiros e técnicos.

A convergência de mundos: tecnologia e finanças

Tradicionalmente, as áreas de TI e finanças operavam em silos, com objetivos e métricas distintas. CIOs focavam na entrega de soluções e inovação, enquanto CFOs priorizavam a eficiência orçamentária e a rentabilidade. A nuvem, com sua natureza de consumo variável e escalabilidade sob demanda, e a IA, com seus custos computacionais intensivos e imprevisíveis, expuseram as limitações dessa separação. O FinOps atua como uma ponte, promovendo um diálogo constante e a adoção de uma linguagem comum.

Executivos como Leandro Marçal, Diretor de Tecnologia do Bradesco, e Telma Luchetta, Sócia da EY em Financial Services Latam, discutirão essas dinâmicas no painel “A conta chegou: eficiência financeira na era da nuvem e da IA”, no TI Inside Innovation Forum. A discussão visa detalhar como estruturar modelos de governança eficazes para ambientes híbridos e multicloud, que são cada vez mais a norma nas grandes corporações. A gestão de contratos globais e o consumo descentralizado de recursos também entram na pauta, evidenciando a necessidade de abordagens mais flexíveis e adaptáveis.

Otimização e governança na era da IA

A inteligência artificial, em particular, apresenta desafios únicos para a gestão de custos. Treinar modelos complexos, executar inferências em larga escala e manter a infraestrutura necessária demandam um poder computacional expressivo e, consequentemente, custos elevados. O FinOps entra em cena para fornecer as ferramentas e os processos necessários para monitorar esses gastos de perto, identificar gargalos e otimizar o uso de recursos. Isso pode envolver a escolha de hardware mais eficiente, a otimização de algoritmos ou a adoção de estratégias de provisionamento inteligente para garantir que a inovação em IA não comprometa a saúde financeira da organização.

Source · TIInside