A Flock Safety, empresa de tecnologia de vigilância avaliada em US$ 8,4 bilhões, encontra-se em um momento de dualidade estratégica. Enquanto seus leitores automáticos de placas (ALPRs) enfrentam uma crescente onda de resistência, com cidades banindo a tecnologia e ativistas criticando seu potencial de vigilância em massa, outra vertente de seu negócio decola: os drones.

Fundada em 2017, a Flock tem visto seu segmento de drones se tornar um motor de receita e um pilar de sua estratégia futura. Garrett Langley, CEO da empresa, destacou em setembro que a tecnologia de drones é sua "unidade de negócios de crescimento mais rápido atualmente", com projeções de que representará quase metade da receita futura. Essa expansão ocorre em um cenário onde o uso de drones pela polícia, conhecido como drone-as-first-responder (DFR), está em franca expansão. Cerca de 2.000 departamentos de segurança pública já utilizam essa tecnologia para responder a chamadas de emergência, auxiliar em investigações e fornecer inteligência em tempo real.

O Crescimento Aéreo da Flock

A estratégia da Flock em priorizar drones é notável, especialmente após a aquisição da Aerodome em 2024 e o investimento na produção nacional de seu novo drone Alpha. A decisão de fabricar nos EUA, com uma fábrica prevista na Geórgia até 2027, também é uma resposta direta a proibições de drones chineses, como os da DJI, impostas em 2025. A empresa não se limita ao setor público; também oferece suas soluções de segurança com drones para empresas privadas e presídios. Os drones Alpha se destacam pela velocidade (60 mph) e autonomia (45 minutos), permitindo rastreamento aprimorado de suspeitos e a integração com as ferramentas de análise com inteligência artificial da Flock.

Controvérsias e a Ascensão da Vigilância Aérea

Paralelamente ao sucesso dos drones, os ALPRs da Flock enfrentam um escrutínio intenso. Críticos como Beryl Lipton, pesquisadora sênior da Electronic Frontier Foundation (EFF), alertam que a conversa pública ainda não acompanhou o avanço tecnológico dos drones, que possuem câmeras de alta resolução capazes de monitorar a longas distâncias sem serem percebidas. A expansão do uso de drones pela polícia levanta preocupações constitucionais sobre privacidade. A capacidade de "vigiar primeiro e descobrir o problema depois", como descreve Bryan Cox, do gabinete do defensor público de São Francisco, inverte a lógica tradicional de investigação baseada em causa provável, gerando questionamentos sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade individual.

Implicações para a Segurança e a Privacidade

A adoção de programas DFR por aproximadamente 125 novos departamentos a cada mês, segundo Charles L. Werner, fundador do grupo Droneresponders, sinaliza uma mudança significativa na atuação policial. A facilidade de uso e a escassez de pessoal em forças policiais, aliadas ao desejo de evitar perseguições de alta velocidade, impulsionam o investimento em "olhos no céu". A Flock, com cerca de 175 clientes DFR, busca replicar o modelo de outras empresas de tecnologia policial, como a Axon, criando um ecossistema integrado que fideliza os clientes a seus sistemas proprietários. A integração de ALPRs com drones, onde um alerta de placa pode disparar o lançamento de um drone para rastreamento, exemplifica essa sinergia, embora com salvaguardas para manter um operador humano no controle.

Perguntas em Aberto e o Futuro da Vigilância

O debate sobre o uso de drones pela polícia e empresas privadas está longe de terminar. Enquanto a Flock Safety celebra o crescimento de seu braço de drones, as preocupações com a privacidade e o potencial de vigilância excessiva persistem. A tecnologia oferece inegáveis benefícios em termos de eficiência e segurança, mas a linha entre proteção e invasão se torna cada vez mais tênue. A forma como a sociedade e os reguladores responderão a essa nova fronteira da vigilância determinará o futuro do equilíbrio entre segurança pública e direitos individuais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company