A procuradora-geral da Flórida, Ashley Moody, deu um passo audacioso ao solicitar uma liminar judicial para frear o desenvolvimento de novos modelos de inteligência artificial pela OpenAI. A ação, protocolada em um tribunal estadual, visa impedir que a empresa avance em suas pesquisas até que implemente mecanismos de segurança independentes e restrinja o acesso de crianças ao ChatGPT. Esta iniciativa, que já conta com um processo anterior aberto em maio contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, alega que a empresa promove um produto inseguro, capaz de auxiliar em crimes violentos e violar leis de proteção ao consumidor e privacidade infantil.

Moody baseou seu pedido em evidências crescentes de falhas de segurança em modelos de IA e na aparente relutância das empresas em reportar esses problemas. Ela destacou que um membro do conselho da própria OpenAI teria admitido um risco real de perda de controle sobre a tecnologia, indicando que a empresa não está no caminho certo para mitigar esses perigos. "Se Sam Altman falou sério sobre desacelerar [o desenvolvimento], ele pode apoiar a nossa petição", declarou Moody em um vídeo publicado no X. "Mas se ele não o fizer, pedimos ao tribunal que faça o que a OpenAI não fará por conta própria: proteger as famílias da Flórida."

A OpenAI, por sua vez, afirmou estar cooperando com as autoridades da Flórida, mas ressaltou que não suspendeu o treinamento de seus modelos mais avançados. A ação do estado, um reduto republicano, pode influenciar o debate sobre a regulação da IA nos Estados Unidos, especialmente considerando a postura anterior do governo Trump, que se mostrou relutante em impor controles rigorosos ao setor, argumentando que um "presidente forte e inteligente" seria suficiente para gerenciar os riscos.

Paralelamente, o governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, também tem demonstrado ceticismo em relação à IA e apoio à regulamentação estadual. A iniciativa de Moody, no entanto, pode ser vista sob uma ótica diferente por alguns players do setor. Alex Karp, fundador da Palantir, sugere que os pedidos de regulação por parte das grandes empresas de IA podem ser uma estratégia para se protegerem de responsabilidades legais futuras decorrentes das ações de suas tecnologias.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech