Jean-Pierre Zanotti, um fotógrafo baseado em Toulon, França, dedica-se a explorar os vestígios de edifícios abandonados que pontilham as paisagens da França e Itália. Com uma paixão que remonta à adolescência, Zanotti utiliza câmeras Fujifilm da série X, combinadas com lentes ultra-wide, para capturar a luz, os objetos e os rastros humanos deixados em espaços esquecidos. Sua jornada na fotografia começou com a astronomia, mas as nuvens persistentes de sua terra natal o levaram a descobrir a beleza melancólica dos sítios industriais em decomposição. Após um período de dedicação à família, ele retomou a fotografia, desta vez no universo digital.
A Arte de Revelar o Passado
O fascínio de Zanotti reside em capturar o potencial fotográfico intrínseco de um local, independentemente de sua grandiosidade aparente. Frequentemente, um corredor simples ou uma porta vazia, onde a luz e a composição se alinham de forma inesperada, rendem as imagens mais impactantes. A proximidade com a Itália, a apenas duas horas de sua casa no sul da França, tem sido uma fonte rica para seu portfólio. Uma experiência marcante foi a exploração de um antigo hospital psiquiátrico na Itália, um dia inteiro imerso na solidão, onde a densidade de objetos, vestígios históricos e uma atmosfera inquietante proporcionaram uma profunda sensação de viagem no tempo.
Equipamento e Companheiros de Exploração
Zanotti migrou para o sistema Fujifilm em 2014, após experimentar diversas outras marcas, encontrando na qualidade de imagem da Fujifilm o encaixe perfeito para seu trabalho. Embora a lente Fujinon XF 10-24mm F4 tenha sido sua companheira principal por anos, ele agora prefere distâncias focais fixas, como a Viltrox 9mm F2.8 Air e a 13mm F1.4, que se adaptam melhor aos interiores apertados e repletos de detalhes que ele documenta. Entre os acessórios essenciais, destacam-se um casaco impermeável ultraleve, crucial para longas caminhadas em locais remotos onde o clima pode mudar drasticamente, além de água e comida. A combinação da câmera X-E5 com a lente Viltrox 9mm é sua favorita para navegar pelos ambientes desafiadores.
Desafios e Precauções em Territórios Esquecidos
Para Zanotti, a exploração de edifícios abandonados exige mais do que apenas equipamento fotográfico. Um serrote dobrável é útil para limpar vegetação que avança sobre os acessos, enquanto luzes LED infláveis e painéis pequenos são levados para espaços de escuridão total, embora raramente usados, pois a luz artificial pode descaracterizar a autenticidade das cenas. Um tripé robusto, um capacete, óculos de segurança, máscara contra poeira e luvas resistentes são itens indispensáveis. Ele carrega tudo em uma mochila Lowepro Flipside Trek BP 350 AW, valorizando sua leveza e durabilidade. A segurança é primordial, com alertas sobre a importância de precauções reais e a consciência de que acidentes ocorrem nos momentos e locais mais inesperados.
A Essência da Fotografia de Lugares Abandonados
A fotografia de lugares abandonados, para Zanotti, transcende a simples captura de imagens; trata-se de uma imersão na história e na memória. O silêncio profundo, a luz difusa filtrada pela natureza que retoma seu espaço ou por janelas obstruídas, e a atmosfera de outro tempo são elementos que transformam fábricas, igrejas, hospitais ou residências em portais para o passado. Ele compara o instinto da fotografia de rua com a paciência exigida em locais abandonados, ambos conectados pelo interesse nas pessoas, seja em sua presença imediata ou em seus vestígios. A organização de móveis, objetos deixados em prateleiras e portas mais usadas contam histórias silenciosas, uma forma de fotografar pessoas à distância. A concentração é fundamental, especialmente em locais que podem ser perigosos ou privados, exigindo um ritmo deliberado para cada disparo, com configurações de ISO baixo, tripé estável, bracketing e foco manual.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · DPReview





