Uma das casas projetadas por Frank Lloyd Wright em seu período Usoniano, a residência Samuel e Dorothy Eppstein, foi novamente listada no mercado imobiliário. Localizada em Galesburg, Michigan, a propriedade de 1953 tem um preço de US$ 2,1 milhões. O valor reflete não apenas a assinatura do arquiteto, mas uma história peculiar de colaboração.

Construída para um casal de cientistas, a casa é um exemplar da visão de Wright para uma arquitetura americana mais acessível e integrada à paisagem. No entanto, sua história desafia o mito do arquiteto como um autor intransigente. O caso Eppstein revela um raro diálogo entre o criador e o cliente, onde as necessidades práticas dos moradores ajudaram a moldar o resultado final, tornando a obra um estudo de caso sobre a tensão entre a visão artística e a vida real.

A utopia a quatro mãos

As casas Usonianas representam o esforço de Wright para criar residências de alta qualidade para a classe média americana, utilizando materiais simples, plantas baixas funcionais e uma forte conexão com o entorno. A casa Eppstein materializa esses princípios com seu telhado em balanço, paredes de blocos de concreto e amplas janelas com esquadrias de mogno. O característico piso de concreto em tom "Cherokee red" esconde um sistema de aquecimento radiante, uma inovação para a época.

O que distingue esta obra é o envolvimento dos proprietários. Samuel e Dorothy Eppstein não apenas encomendaram o projeto; eles participaram ativamente da construção, ajudando a fabricar parte dos 3.000 blocos de concreto. Mais notavelmente, eles questionaram o plano original, solicitando quartos maiores para os filhos e uma cozinha mais ampla com janela. Para surpresa de muitos, Wright concordou, adaptando sua visão às demandas pragmáticas da família.

Um legado restaurado

A residência faz parte de "The Acres", uma comunidade planejada por Wright em uma área de 70 acres para um grupo de cientistas. Das 21 casas previstas, apenas quatro foram construídas, tornando o local um fragmento de uma utopia arquitetônica. Com cerca de 230 metros quadrados, três quartos e móveis embutidos desenhados pelo próprio arquiteto, a casa é um testemunho da eficiência espacial de Wright.

Após anos de deterioração, a propriedade foi adquirida em 2016 e passou por uma extensa restauração concluída no ano seguinte. O trabalho recuperou o telhado, sistemas elétricos e hidráulicos, e reparou os icônicos pisos de concreto e a marcenaria original. A listagem atual, portanto, não oferece apenas uma peça de design, mas um artefato histórico cuidadosamente preservado.

A venda da Casa Eppstein transcende uma simples transação imobiliária. É a passagem de custódia de um capítulo importante da arquitetura moderna, um que nos lembra que mesmo os projetos mais visionários são, em última análise, moldados pelas necessidades humanas daqueles que os habitam. O próximo proprietário não adquire apenas uma casa, mas um raro registro de colaboração e um fragmento do sonho americano de Wright.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom