A Nigéria, que responde por quase 30% das mortes maternas globais, será o palco de uma nova iniciativa para combater essa crise. A Gates Foundation e a MTN Group Foundation anunciaram uma parceria de quatro anos e US$ 25 milhões para lançar uma plataforma de saúde materna habilitada por inteligência artificial (IA). O objetivo é ambicioso: alcançar 500 mil mulheres com melhor acesso a cuidados de saúde até 2030, além de equipar 5 mil profissionais de saúde de linha de frente com ferramentas para identificar complicações na gravidez e no parto de forma mais precoce.
O Cenário da Saúde Materna na Nigéria
Apesar de ter reduzido as mortes maternas na última década, a Nigéria ainda enfrenta um desafio colossal. Globalmente, as mortes maternas caíram 40% desde 2000, mas o progresso estagnou, e o risco de morrer no parto na África Subsaariana é cerca de 250 vezes maior do que na Europa Ocidental. Na Nigéria, apenas 59% das mulheres completam as quatro consultas pré-natais recomendadas, o que significa que sinais de alerta de complicações frequentemente passam despercebidos até que seja tarde demais. A nova plataforma busca reverter esse quadro, integrando tecnologia ao sistema de saúde existente.
A Plataforma e Seus Componentes
A iniciativa, batizada de Nigeria Maternal Health Multiplier, opera em três frentes principais. Primeiro, oferece suporte à decisão baseado em IA e em telefonia móvel, tanto para profissionais de saúde quanto para as próprias mães. Segundo, visa disponibilizar smartphones acessíveis e planos de dados móveis. Terceiro, busca aprimorar a conectividade em 500 unidades de saúde, garantindo padrões de cuidado mais consistentes. Essa abordagem multifacetada visa atacar as barreiras que impedem o acesso a cuidados de qualidade, desde a falta de informação até a infraestrutura precária.
IA como Catalisador, Não Solução Isolada
Mark Suzman, CEO da Gates Foundation, ressaltou o potencial da IA na saúde, mas enfatizou que seus benefícios precisam alcançar quem mais precisa. Ele destacou o papel da filantropia como catalisadora, não como substituta de investimentos maiores, para garantir que a tecnologia beneficie os mais vulneráveis. Ralph Mupita, CEO do MTN Group, complementou que o objetivo é tornar a saúde materna “mais personalizada, preditiva e acessível”, com insights de saúde confiáveis e localmente relevantes diretamente nas mãos de mães e profissionais, adaptados às suas necessidades e idiomas. A ambição é criar um modelo escalável para toda a África.
Foco nos Sistemas e na Infraestrutura
Autoridades nigerianas, como o ministro das comunicações, Dr. Bosun Tijani, e o ministro da saúde, Dr. Muhammad Ali Pate, veem a iniciativa como uma resposta a problemas sistêmicos, não apenas a lacunas tecnológicas. Eles apontam que a maior barreira na entrega de serviços na Nigéria raramente é a falta de novas ferramentas, mas sim a ausência de sistemas básicos que garantam o uso efetivo dessas ferramentas. O foco em fortalecer a atenção primária à saúde e os trabalhadores da linha de frente é central para as reformas do país. Parcerias que trabalham com os sistemas existentes, em vez de contorná-los, são cruciais para alcançar as mães que ainda “caem pelas frestas”. A parceria, com duração de quatro anos, começa com um investimento de cerca de US$ 25 milhões, com expectativa de atrair mais fundos e expansão para outros mercados africanos. A MTN contribui com sua infraestrutura de conectividade e redes de distribuição, enquanto a Gates Foundation traz sua expertise em saúde materna, inovação digital e IA responsável. Esta é a segunda grande iniciativa da Gates Foundation focada em IA na África este ano, seguindo um acordo similar com a OpenAI para integrar ferramentas de IA em clínicas de atenção primária.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





