A notícia de que Estados Unidos e Canadá podem estar próximos de um acordo para reduzir tarifas sobre o aço e o alumínio canadenses provocou um abalo imediato no mercado. As ações da Gerdau (GGBR4) chegaram a cair mais de 4% na quinta-feira, em linha com suas pares americanas, como a Steel Dynamics e a Nucor. O movimento reflete a sensibilidade do setor siderúrgico a qualquer mudança nas regras do comércio internacional, especialmente no âmbito do acordo EUA-México-Canadá (USMCA).

Para analistas de mercado, contudo, a reação foi exagerada. Relatórios do Citi e do UBS BB, compilados pelo Money Times, argumentam que, apesar do ruído de curto prazo, a tese de investimento na Gerdau permanece intacta. A leitura é que o mercado está se antecipando a um cenário mais adverso que, por ora, não se materializou.

Mais ruído que fundamento

A análise do Citi sugere que a negociação entre EUA e Canadá funciona mais como um termômetro para futuras conversas com o México, estas sim com potencial de impacto mais significativo para a Gerdau. Uma liberalização comercial com o vizinho do sul poderia alterar a dinâmica de oferta e demanda na região. Paradoxalmente, uma abertura com o Canadá poderia até ser positiva para a siderúrgica brasileira, que possui operações no país. O banco mantém a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 29.

O UBS BB reforça a visão de que "a manchete parece pior do que os dados realmente indicam". A análise do banco suíço destaca que a Gerdau está bem posicionada em segmentos como vigas e aços comerciais, que são menos expostos a um eventual aumento de importações do Canadá e do México. Além disso, a demanda por esses produtos nos EUA segue aquecida, o que permitiria a absorção de volumes adicionais sem grande pressão sobre os preços. O UBS BB também recomenda a compra, com preço-alvo de R$ 28.

O episódio ilustra a desconexão entre o nervosismo do mercado com a política comercial e a resiliência operacional da companhia. Embora a notícia não seja positiva, ela não parece suficiente para "destruir" a tese de investimento, na avaliação dos analistas. O futuro do USMCA segue como a principal variável a ser monitorada, mas, por enquanto, os fundamentos da Gerdau parecem mais sólidos que a volatilidade de suas ações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times