O Goldman Sachs decidiu rebaixar sua recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4), de compra para neutra. A decisão, segundo reportagem do InfoMoney, reflete a visão do banco de que o ciclo de revisões positivas para os resultados da siderúrgica está se esgotando, especialmente após uma valorização de 37% nos papéis desde sua inclusão na lista de compra do banco, em fevereiro de 2024.

A tese do Goldman Sachs é que, embora a operação norte-americana continue sendo o principal motor da Gerdau, os ventos favoráveis que impulsionaram a companhia estão perdendo força. O próprio banco já havia elevado em 20% suas projeções de lucro para 2026 e 2027, e agora enxerga um teto para novas melhoras.

O ciclo de alta chega ao limite

O cerne da análise está no mercado americano, responsável pela maior parte do EBITDA da Gerdau. Os atuais níveis de rentabilidade e preços elevados nos Estados Unidos já começam a atrair um volume maior de importações de aço. Esse movimento funciona como uma trava natural, limitando o espaço para que a companhia continue a praticar novas altas de preços.

A competição na região tende a se intensificar. O Goldman aponta para a entrada em operação de uma nova capacidade de produção de aços longos no México, prevista para o quarto trimestre de 2026. Esse acréscimo de oferta na América do Norte deve aumentar a pressão sobre as margens e a participação de mercado da Gerdau.

Riscos geopolíticos e o cenário doméstico

Um risco adicional, e de grande magnitude, reside na política comercial dos Estados Unidos. Os preços e prêmios do aço no país são hoje sustentados por tarifas de 50% sobre diversos produtos e produtores globais. Uma eventual flexibilização dessas barreiras, a depender do cenário político, poderia desestruturar a dinâmica de preços e impactar diretamente os resultados da Gerdau em seu mercado mais importante.

No Brasil, o quadro também não aponta para uma compensação. A expectativa é de uma demanda doméstica mais fraca, que tende a anular parte dos ganhos de custos que a empresa poderia obter com o aumento da produção de minério de ferro em 2027. O cenário, portanto, é de um potencial de melhora limitado em ambas as frentes.

Apesar do corte, o Goldman Sachs nota que a ação da Gerdau negocia com um desconto de cerca de 50% em relação a seus pares globais. A questão que fica para o mercado é se esse desconto é suficiente para justificar a aposta, mesmo com o banco sinalizando que não espera uma reprecificação da ação no ambiente atual. O ciclo de alta pode não ter acabado, mas o ritmo, ao que tudo indica, será outro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney