O mercado global de medicamentos para perda de peso, especialmente os à base de GLP-1 como Ozempic e Wegovy, tem visto uma expansão sem precedentes. Agora, o foco se volta para economias emergentes, com o JP Morgan projetando um crescimento expressivo para Brasil, China e Índia. O mercado combinado desses três países, atualmente estimado em US$ 6,6 bilhões, pode saltar para US$ 22 bilhões até 2035, segundo analistas do banco. Essa projeção de crescimento expressivo é impulsionada por uma combinação de fatores que incluem maior acessibilidade financeira, maior conscientização sobre saúde e o aumento alarmante de casos de diabetes e obesidade nessas regiões.

Um Novo Horizonte para GLP-1

Medicamentos como os da Novo Nordisk e Eli Lilly, que ganharam destaque mundial por sua eficácia no controle de peso e diabetes, encontram um terreno fértil em países com populações de grande porte e desafios crescentes de saúde metabólica. A China e a Índia, por exemplo, concentram uma parcela significativa dos casos globais de diabetes, enquanto o Brasil também enfrenta um ônus crescente de obesidade. A leitura aqui é que o GLP-1 está evoluindo de um tema de crescimento restrito a mercados desenvolvidos para uma história de acesso global mais amplo. A expiração de patentes, a introdução de genéricos e as políticas públicas que visam reduzir custos estão convergindo para tornar essas terapias mais acessíveis, abrindo caminho para uma adoção em massa nesses mercados.

Desafios e Oportunidades em Mercados Emergentes

Apesar do potencial otimista, a adoção de GLP-1 em muitos mercados emergentes tem sido limitada por barreiras de acessibilidade. A penetração desses medicamentos na China e na Índia ainda é significativamente menor quando comparada aos Estados Unidos. No Brasil, embora seja atualmente o maior mercado entre os três, a projeção de penetração em sua população obesa até 2035 ainda é modesta em comparação com o mercado americano. O JP Morgan antecipa que a China ultrapassará o Brasil em valor de mercado até 2027, impulsionada pela alta incidência de diabetes e por um sistema de reembolso mais favorável a terapias com GLP-1. Para a Índia, a hesitação cultural em relação a medicamentos injetáveis e preocupações com custos permanecem como os principais entraves, apesar do potencial de crescimento.

Atores e Estratégias no Jogo

O JP Morgan identificou algumas empresas que podem se beneficiar dessa tendência. Na China, a Innovent desponta como um player relevante. Na Índia, Divi’s Laboratories e Torrent Pharmaceuticals são citadas como potenciais beneficiárias. No Brasil, a RD Saúde é apontada como uma ação a ser observada. A estratégia dessas empresas, e de outras que atuam no setor, será crucial para capitalizar sobre o tema de crescimento do GLP-1. A capacidade de oferecer produtos a preços competitivos, adaptar formulações às necessidades locais e navegar pelos complexos cenários regulatórios e de reembolso será fundamental para conquistar esses mercados em expansão.

O Futuro da Perda de Peso Acessível

O cenário para medicamentos de perda de peso em mercados emergentes é promissor, mas complexo. A convergência de fatores como aumento da prevalência de doenças metabólicas, avanço tecnológico e políticas de saúde pública que buscam maior acessibilidade sugere um futuro de crescimento robusto. No entanto, a superação das barreiras culturais e financeiras ainda será um desafio. Acompanhar a evolução das patentes, o desenvolvimento de genéricos e as estratégias de precificação das farmacêuticas será essencial para entender a dinâmica futura deste mercado em rápida transformação. A forma como esses medicamentos se integrarão aos sistemas de saúde locais e como a demanda reprimida se manifestará determinará o ritmo e a magnitude dessa expansão.

O potencial de crescimento é inegável, mas a jornada para democratizar o acesso a tratamentos eficazes para obesidade e diabetes em economias emergentes exigirá inovação contínua e estratégias de mercado adaptadas. A convergência de fatores econômicos, sociais e tecnológicos moldará o futuro deste segmento terapêutico nos próximos anos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times