Investidores institucionais, conhecidos como LPs (limited partners), continuam a apostar nos mercados privados para a construção de suas carteiras. Uma pesquisa recente do Goldman Sachs Alternatives, intitulada ‘2026 Global Alternatives Survey: The LP View’, indica que infraestruturas e mercados secundários emergem como as áreas de maior atratividade. Especificamente, 43% dos LPs percebem uma perspectiva mais favorável para investimentos em infraestrutura, enquanto 44% têm projeções positivas para o segmento de secundários. O setor imobiliário também figura com uma percepção positiva para 37% dos entrevistados, contrastando com 16% de visão menos favorável.

Otimismo em Mercados Privados

A confiança nos mercados privados, apesar de um cenário macroeconômico repleto de incertezas, é um ponto central da análise. Enquanto a geopolítica lidera a lista de riscos para o terceiro ano consecutivo, citada por 82% dos encuestados como uma das cinco maiores dificuldades e por 36% individualmente, outros fatores como a inflação (67%) e a desaceleração econômica nos EUA (63%) também pesam nas decisões. Surpreendentemente, a inteligência artificial começa a ser vista como um risco (28%), devido ao potencial deslocamento de trabalhadores, mas, paradoxalmente, 34% a consideram o maior motor de mudança nos ativos alternativos para os próximos cinco anos.

Foco em Infraestrutura e Secundários

O levantamento do Goldman Sachs detalha a alocação de capital esperada. O 84% dos LPs planeja investir o mesmo montante ou mais capital em comparação com o ano anterior, um dado alinhado com os 83% registrados no ano passado. Deste grupo, 37% preveem um aumento no investimento. A codiretora global de Formação de Capital Alternativo de Goldman Sachs Alternatives, Stephanie Rader, destaca a crescente importância dos secundários: “Os LPs utilizam cada vez mais as secundárias como ferramenta central para a alocação de carteiras e a gestão dos fluxos de caixa, com o fim de construir carteiras mais resilientes.” Essa estratégia permite aos investidores otimizar a liquidez e ajustar suas posições em fundos existentes.

Desafios e Oportunidades

Embora o cenário seja de otimismo em áreas específicas, os desafios persistem. A liquidez é apontada como o principal desafio no capital privado (28%), seguida pelo retorno no setor imobiliário (32%) e o acesso a coinvestimentos (21%). A seleção de gestores em crédito privado (20%) e infraestruturas (15%) também representa um obstáculo. As avaliações (valuations) ocupam o segundo lugar em cinco classes de ativos. A percepção de oportunidades em crédito privado, apesar do aumento de opiniões negativas (35%), ainda é vista como boa ou melhor que antes por 65% dos LPs, indicando uma resiliência particular neste segmento.

Perspectivas Futuras e Conexões com o Brasil

A pesquisa do Goldman Sachs, embora focada em um panorama global, oferece insights valiosos para o mercado brasileiro. A crescente relevância dos mercados de infraestrutura e secundários no Brasil pode ser impulsionada por essa tendência global. Investidores locais e gestoras de fundos brasileiros podem se beneficiar ao observar as estratégias adotadas pelos LPs internacionais. A busca por liquidez e a gestão ativa de portfólios, conforme apontado pela pesquisa, são temas que também ressoam no contexto brasileiro, onde a maturação do mercado de capitais e a busca por retornos consistentes em cenários de volatilidade são constantes.

O cenário de investimentos alternativos, delineado pela pesquisa, sugere um movimento estratégico dos LPs em direção a ativos com potencial de retorno mais estável e resiliente. A infraestrutura, com seus fluxos de caixa previsíveis e papel crucial no desenvolvimento econômico, e os secundários, que oferecem liquidez e a possibilidade de aquisição de ativos a preços potencialmente mais vantajosos, são vistos como pilares para a construção de portfólios robustos. A forma como esses movimentos globais se traduzirão no mercado brasileiro, especialmente em um contexto de juros elevados e busca por investimentos de longo prazo, será um ponto de atenção para gestores e investidores locais nos próximos anos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España